Israel proíbe atuação de Médicos Sem Fronteiras em Gaza e Cisjordânia

AFP

A organização Médicos Sem Fronteiras manifestou preocupação com o fato de as autoridades israelenses não terem fornecido garantias sobre como as informações seriam utilizadas

O governo israelense determinou a suspensão das operações da organização humanitária Médicos Sem Fronteiras (MSF) na Faixa de Gaza e na Cisjordânia ocupada.

A decisão ocorreu após a entidade se recusar a fornecer uma lista completa de seus funcionários palestinos e internacionais às autoridades.

Em comunicado divulgado no domingo (1º), o Ministério das Relações Exteriores de Israel acusou a MSF de “ter algo a esconder” e afirmou que a solicitação faz parte de um processo de registro necessário por motivos de segurança. Segundo o ministério, a organização havia se comprometido, no início de janeiro, a compartilhar os dados, mas depois recuou, optando por “se retirar de Gaza”.

A autoridade israelense também reiterou acusações – rejeitadas pela MSF – de que dois funcionários da entidade teriam vínculos com grupos armados palestinos.

A organização humanitária, por sua vez, explicou em nota publicada em seu site na sexta-feira (30) que, como “medida excepcional”, havia concordado em compartilhar os nomes.

No entanto, afirmou que não obteve garantias básicas sobre como essas informações seriam utilizadas e protegidas. A MSF solicitou que os dados fossem usados apenas para fins administrativos e que não expusessem seus colaboradores a riscos.

“Ficou evidente que não conseguimos estabelecer um diálogo com as autoridades israelenses com base nas garantias concretas necessárias”, declarou a organização. Diante da ausência dessas garantias, a MSF “concluiu que não compartilhará informações sobre seus funcionários nas circunstâncias atuais”.

Com o impasse, Israel determinou que a entidade encerre suas atividades em Gaza até 28 de fevereiro de 2026.

A decisão da MSF de inicialmente aceitar a solicitação israelense gerou críticas dentro da comunidade médica e humanitária. O renomado cirurgião palestino Dr. Ghassan Abu Sittah alertou que a medida poderia colocar em risco a vida dos funcionários locais da organização.

A proibição acontece em um contexto de restrições crescentes contra agências de ajuda humanitária em Gaza. Em dezembro, Israel já havia anunciado planos para impedir a atuação de 37 organizações, incluindo a MSF, a partir de 1º de março, sob a mesma justificativa de falta de informações sobre seus quadros.

Organizações de direitos humanos alertam que essas medidas agravarão a crise humanitária no território, onde o sistema de saúde está devastado após meses de ofensiva militar e a população depende quase inteiramente de ajuda externa para sobreviver.

Com informações do Middle East Eye em 01/02/2026

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