Passagem de Rafah reabre com fortes restrições, após quase dois anos

AFP/Bashar Taleb

O novo acordo permite a entrada de 50 palestinos em Gaza e a saída de 150 por dia

A passagem fronteiriça de Rafah, entre a Faixa de Gaza e o Egito, foi reaberta nesta segunda-feira para ambos os lados pela primeira vez em quase dois anos.

O ponto de travessia havia sido danificado e mantido fechado pelas forças israelenses desde maio de 2024, quando assumiram seu controle.

Segundo o novo acordo, as condições da reabertura da passagem de Rafah impõem uma série de restrições:

  • 50 palestinos poderão entrar em Gaza a partir do Egito diariamente;
  • Aproximadamente 150 palestinos poderão sair do enclave diariamente;
  • Todos os viajantes terão seus nomes submetidos a verificação de segurança;
  • É necessária aprovação prévia tanto do Egito quanto de Israel.

Israel concluiu na manhã de segunda-feira a instalação de um posto de controle dentro da passagem fronteiriça, após anunciar uma reabertura parcial no domingo.

Mecanismos de controle

As forças israelenses, estacionadas em Rafah e ao longo da fronteira, não terão presença física dentro da própria passagem. A administração será realizada por uma equipe da União Europeia no âmbito da Missão de Assistência Fronteiriça da UE.

No entanto, Israel realizará buscas físicas em quem retornar à Faixa de Gaza e poderá monitorar quem sair por meio de tecnologia de reconhecimento facial, segundo a mídia israelense.

Importância estratégica

A passagem de Rafah é uma via crucial tanto para civis quanto para ajuda humanitária, sendo a única passagem para pedestres e mercadorias que não atravessa Israel. Sua reabertura estava incluída no acordo de cessar-fogo intermediado pelos EUA em 10 de outubro e era uma reivindicação antiga das Nações Unidas e organizações humanitárias.

Atualmente, as forças israelenses continuam ocupando Rafah, incluindo a área onde se localiza a passagem.

O Hamas saudou a reabertura, mas alertou que as condições impostas por Israel dificultam a circulação. Ghazi Hamad, membro sênior do grupo, acusou Israel de impor restrições para dificultar as viagens.

O movimento também afirmou ter concluído os procedimentos para transferir a autoridade governamental para o recém-criado Comitê Nacional para a Administração de Gaza (CNAG). Este órgão tecnocrático de 15 membros supervisionará a governança cotidiana do território sob supervisão do “Conselho da Paz”, presidido pelo presidente dos EUA, Donald Trump.

Durante o conflito, autoridades israelenses negaram a entrada a delegações de saúde, tratamentos médicos e suprimentos essenciais. Estima-se que 22.000 feridos e pacientes permaneçam em listas de espera para evacuação urgente, muitos dependendo da travessia de Rafah para buscar tratamento no exterior. Com as cotas atuais, longas esperas são esperadas para a maioria.

Com informações do Middle East Eye em 02/02/2026

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