Analistas temem enfraquecimento do combate a doenças infecciosas e de sistemas de saúde já fragilizados. Programas para HIV/Aids, tuberculose e malária estão entre os mais vulneráveis
Os Estados Unidos causaram um abalo no sistema global de saúde ao formalizarem sua saída da Organização Mundial da Saúde (OMS) em 22 de janeiro de 2025.
A decisão, assinada pelo presidente Donald Trump apenas horas após sua posse para um novo mandato, representa a retirada do principal financiador e membro fundador da agência, responsável por aproximadamente 15% do orçamento total da organização.
A lacuna de financiamento criada pela saída americana afetará desproporcionalmente os países mais vulneráveis, especialmente na África, onde os recursos da OMS são direcionados ao combate de doenças infecciosas e ao fortalecimento de sistemas de saúde frágeis.
Entre 2020 e 2021, por exemplo, a OMS destinou 17,6 milhões de dólares apenas ao Malawi. Analistas preveem reduções drásticas em recursos essenciais.
“Sabemos que a maioria dos países em desenvolvimento terá problemas porque depende da expertise técnica da OMS”, alerta o ativista malawiano Maziko Matemba.
Justificativas controversas
O governo Trump fundamentou a decisão em argumentos falaciosos.
Citou o desequilíbrio nas contribuições financeiras de países com populações maiores (como a China) que não investem proporcionalmente e fez críticas ao desempenho da OMS durante a pandemia de COVID-19 e “outras crises sanitárias mundiais”.
O diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesu, classificou as razões como “falsas” e advertiu que a medida torna “os EUA e o mundo menos seguros”.
Países africanos como Nigéria, Uganda, Quênia, Moçambique, Zâmbia e República Democrática do Congo – maiores beneficiários do financiamento global de saúde vinculado aos EUA – enfrentam agora interrupções potenciais na aquisição de medicamentos, campanhas de prevenção e serviços comunitários de saúde.
E programas como o combate ao HIV/Aids, tuberculose, malária e a erradicação da poliomielite estão em risco imediato.
A retirada americana pode comprometer seriamente o monitoramento de doenças, a capacidade de dar resposta a emergências e a cooperação multilateral, já que a OMS coordena a detecção de surtos e a troca de informações vitais entre os países.
Reconfiguração geopolítica da saúde global
A saída dos EUA reduz sua influência sobre normas e padrões globais de saúde, potencialmente abrindo espaço para que outras potências definam prioridades. E representa uma ruptura com sete décadas de cooperação sanitária internacional.
A OMS já anunciou planos de reduzir sua força de trabalho em aproximadamente 25% até meados de 2026, o que pode significar perda de expertise técnica crucial e deixa o mundo mais vulnerável a futuras pandemias.
Com informações do DW em 02/02/2026


Fanta
02/02/2026 - 18h31
chamem a china….kkkkkkkkk