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Reajuste de 54,6% no querosene de aviação pressiona custos e ameaça rotas no Brasil

0 Comentários🗣️🔥 A Associação Brasileira das Empresas Aéreas (Abear) emitiu alerta em 2 de abril de 2026 sobre os impactos do reajuste de 54,6% no preço do querosene de aviação (QAV), anunciado pela Petrobras em 1º de abril. O aumento, somado ao ajuste de 9,4% aplicado em março, elevou o combustível a 45% das despesas […]

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A Associação Brasileira das Empresas Aéreas (Abear) emitiu alerta em 2 de abril de 2026 sobre os impactos do reajuste de 54,6% no preço do querosene de aviação (QAV), anunciado pela Petrobras em 1º de abril. O aumento, somado ao ajuste de 9,4% aplicado em março, elevou o combustível a 45% das despesas operacionais das companhias aéreas, ante 30% registrados anteriormente.

A Abear classificou a medida como uma ameaça à conectividade e à expansão de rotas no país. Em nota, a associação destacou que o reajuste pode limitar a abertura de novas rotas e reduzir a oferta de serviços, comprometendo a democratização do transporte aéreo. Analistas do setor já preveem pressões inflacionárias nas tarifas, embora a Abear não tenha confirmado impactos diretos nos preços das passagens.

A alta do QAV reflete a escalada global do petróleo, impulsionada pela guerra no Oriente Médio. Desde o início do conflito, o barril saltou de US$ 70 para mais de US$ 115, afetando diretamente o preço do querosene. Embora 80% do QAV consumido no Brasil seja produzido internamente, seu preço segue a paridade internacional, expondo o mercado doméstico às oscilações geopolíticas.

A Petrobras anunciou estratégia para mitigar o impacto do reajuste. A partir de abril, as distribuidoras pagarão 18% a mais pelo QAV, enquanto a diferença até os 54,6% será parcelada em seis vezes, com início em julho. A estatal justificou a medida como forma de preservar a demanda, mas a defasagem entre os reajustes e a realidade do mercado já acende alertas no setor.

O Grupo Abra, controlador da Gol Linhas Aéreas, confirmou a alta de 55% no preço do querosene. Manuel Irarrazaval, diretor financeiro da holding, admitiu que a política de reajustes mensais permite gestão mais equilibrada dos custos, mas alertou que aumentos no combustível inevitavelmente se refletirão nas passagens. A Azul Linhas Aéreas já elevou o preço médio das tarifas em mais de 20% nas últimas semanas e planeja reduzir em 1% a oferta de voos domésticos no segundo trimestre de 2026.

A crise não se restringe ao Brasil. A tensão no Oriente Médio provocou efeito dominó nos preços do petróleo, afetando companhias aéreas globalmente. A Abear defende a criação de mecanismos para atenuar os impactos do QAV, garantindo a sustentabilidade econômica das operações e a manutenção da conectividade nacional. A associação reforçou que a dependência da paridade internacional agrava os efeitos de choques externos.

A Petrobras reiterou à Agência Internacional que o parcelamento visa assegurar o funcionamento do mercado. A estatal não detalhou, porém, como equilibrará os interesses das distribuidoras e das companhias aéreas, que operam com margens apertadas. A expectativa é que o governo federal avalie alternativas, como subsídios temporários ou ajustes na política de preços dos combustíveis.

A escalada dos custos operacionais ocorre em momento delicado para a aviação brasileira. O setor ainda se recupera dos impactos da pandemia e enfrenta desafios como a alta do dólar e a inflação persistente. Com o querosene respondendo por quase metade das despesas, a capacidade de investimento das empresas fica comprometida, colocando em risco a expansão e a manutenção de rotas.

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