Com 40% nas pesquisas, Lula pesa os riscos de enfrentar sozinho uma bancada de adversários de direita nos debates televisivos.
Segundo o Redir, o presidente Lula avalia não comparecer a nenhum debate do primeiro turno promovido por emissoras de TV, segundo a Folha de S.Paulo desta terça-feira (21).
O tema divide a cúpula do PT e a decisão ainda não está fechada.
O principal temor de parte dos aliados é que Lula, único candidato de esquerda no páreo, fique exposto a ataques concentrados de adversários como Jair Bolsonaro (PL), Ronaldo Caiado (PSD), Romeu Zema (Novo) e Renan Santos (Missão), sem outro nome progressista para dividir o confronto.
Outro grupo defende a participação justamente para forçar embates diretos com Bolsonaro. A ausência de Lula, porém, abriria caminho para que o próprio Bolsonaro também faltasse, evitando ter de responder sobre o escândalo do Banco Master: em maio, um áudio revelou Flávio Bolsonaro pedindo dinheiro ao ex-dono da instituição, Daniel Vorcaro, para financiar um filme sobre o pai.
A estratégia de Lula inclui usar o caso Master e a proximidade do grupo bolsonarista com Donald Trump, responsável pelo tarifaço americano contra produtos brasileiros, para ampliar a rejeição ao adversário. A ausência em debates de primeiro turno tem precedente: em 2006, o próprio Lula não compareceu; em 1998, Fernando Henrique Cardoso fez o mesmo.
Aliados ressalvam que poderá haver avaliação caso a caso. Se Lula considerar que foi muito atacado em um debate do qual se ausentou, pode decidir ir ao seguinte para responder.
O primeiro teste será o debate da Band, marcado para 16 de agosto, mesma data em que Lula quer lançar oficialmente sua candidatura no estádio da Vila Euclides, em São Bernardo do Campo, local onde presidiu assembleias de grevistas nos anos 1970. Participar do debate exigiria preparação e descanso, inviabilizando o evento no mesmo dia. A direção do PT trabalha para manter o lançamento na data.
Lula lidera com folga as pesquisas. Levantamento da Quaest de 15 de julho mostra o petista com 40% das intenções de voto no primeiro turno, contra 28% de Bolsonaro. No segundo turno, a vantagem é de 45% a 37%, dentro da margem de erro de dois pontos percentuais.


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