No cenário 1 da pesquisa Real Time Big Data, quando o voto é separado por identidade ideológica, o recorte mais decisivo aparece entre os eleitores que se autodefinem como centro. Nesse grupo, Lula lidera isoladamente com 38%, enquanto Flávio Bolsonaro tem 24% e Ratinho Jr. 15%. O voto da direita, portanto, chega fraturado ao eleitor de centro: somados, Flávio (24%) e Ratinho (15%) alcançam 39%, praticamente o mesmo patamar de Lula nesse segmento.
Registrado no TSE sob o número BR-06428/2026, o levantamento ouviu 2.000 pessoas nos dias 6 e 7 de fevereiro, com margem de erro de 2 pontos percentuais e 95% de confiança. O estudo foi divulgado em 9 de fevereiro e custou R$ 80 mil, bancados com recursos próprios do instituto.
O mapa ideológico do país e a disputa pelo centro
No retrato geral, o país aparece dividido em cinco grandes blocos: 18% se dizem de direita, 24% de centro-direita, 26% de centro, 17% de centro-esquerda e 14% de esquerda (1% não sabe/não respondeu). A soma de direita e centro-direita alcança 42%, enquanto centro-esquerda e esquerda ficam em 31% — e o centro isolado (26%) se confirma como a faixa que costuma decidir eleição presidencial e ajuda a antecipar o desenho de forças no Congresso e nas assembleias.
É nesse ponto que a pesquisa traz um desdobramento revelador: ao abrir o voto por perfil ideológico, ela mostra onde cada candidatura tem hegemonia e onde, de fato, existe disputa.
Lula lidera, mas é no centro que a eleição se equilibra
Na espontânea para presidente, Lula aparece com 28%, à frente de Flávio Bolsonaro (14%) e Jair Bolsonaro (6%). Além disso, 14% declaram “nenhum/branco/nulo” e 31% dizem “não sabe”.
No cenário 1 da estimulada, Lula lidera com 39%, seguido por Flávio Bolsonaro (30%) e Ratinho Jr. (10%). Os demais nomes somam pouco; branco/nulo fica em 7% e NS/NR, 8%.
Quando esse cenário é aberto por identidade ideológica, o quadro fica definido nos polos e embaralhado no meio: Flávio concentra o eleitor de direita e Lula concentra o de esquerda, enquanto o centro apresenta a divisão que pode apertar a disputa. Entre os que se dizem de centro, Lula lidera com 38%, mas Flávio (24%) e Ratinho (15%) somam 39% — uma indicação de que a reorganização da centro-direita pode tornar o jogo mais competitivo.
Hegemonia na esquerda e ausência de alternativa à esquerda de Lula
Nos extremos, o levantamento registra hegemonias claras: Flávio domina o campo da direita; Lula, o da esquerda, com patamares acima de 80% nos recortes de centro-esquerda e esquerda do cenário 1.
Outro dado que chama atenção: não aparece hoje candidato competitivo à esquerda de Lula. No card de “temas e candidatos”, quando a pergunta é “quem mais simboliza a esquerda?”, 84% apontam Lula. O segundo nome é Aldo Rebelo, com 6%, e Eduardo Leite aparece com 4%. Na prática, o campo progressista segue concentrado no lulismo. A ausência de alternativa relevante à esquerda do presidente tende a manter — e possivelmente ampliar — a hegemonia do PT nesse espaço.
Lula no centro: força eleitoral e disputa simbólica
Além do bom desempenho no voto do segmento de centro, a pesquisa mede a disputa simbólica por esse campo. Na pergunta “quem mais simboliza o centro?”, a resposta aparece pulverizada: Lula (15%) e Ratinho Jr. (15%) empatam no topo; Eduardo Leite tem 14%, Romeu Zema 13%, Flávio Bolsonaro 11%, Caiado 10% e “não sei” 9%. O centro, portanto, não está “carimbado” em um único nome — e Lula figura como uma das referências nesse terreno.
Nos temas, o estudo revela forças e fragilidades de cada candidatura. Lula lidera com folga em “melhorar a vida dos mais pobres”: 44% o escolhem, contra 17% que escolhem Flávio Bolsonaro. Já em segurança pública, Flávio lidera (28%) e Lula vem atrás (23%). Em economia, Lula aparece à frente com 29%, seguido por Flávio (20%). E, na capacidade de pacificar o Brasil politicamente, há empate no topo: Lula 24% e Flávio 24%.
O bloco de afirmações sobre humor social completa o retrato. 60% discordam que o Brasil esteja no caminho certo, e apenas 38% concordam, um dado que poderia ser mais preocupante para as perspectivas de eleição de Lula, senão fosse uma marca já conhecida da cultura política nacional. O brasileiro costuma sempre querer mudanças, por uma razão óbvia, ligada à precariedade da nossa economia e da nossa infraestrutura, mas isso não significa que associará este ou aquele nome a esta mudança.
De qualquer forma, há sinais de desgaste com a política: 55% dizem que o país precisa superar a polarização entre Lula e Bolsonaro, e 76% concordam que “de nada adianta mudar o presidente” se o Congresso continuar como está.
Clique aqui para baixar a íntegra da pesquisa.





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