Trump condiciona acordo nuclear e amplia pressão sobre o Irã após novas negociações

Principais pontos do discurso do presidente dos EUA, Donald Trump, em Davos 2026 (Créditos da imagem: Reuters)

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que as conversas com o Irã avançaram de forma positiva, mas condicionou a continuidade do diálogo à assinatura de um acordo que, segundo ele, precisa ser “significativo”. Em declaração feita durante a primeira reunião de seu Conselho de Paz em Washington, nesta quinta-feira (19), Trump advertiu que a ausência de entendimento poderá resultar em consequências graves, reiterando a pressão diplomática e militar sobre o país do Oriente Médio.

As negociações recentes ocorreram de maneira indireta em Genebra, em encontro realizado na terça-feira (17) com a presença do enviado especial americano Steve Witkoff, do assessor Jared Kushner e do chanceler iraniano Abbas Araqchi. Apesar do tom considerado construtivo, persistem divergências relevantes que ainda impedem a formalização de um pacto.

Durante sua fala, Trump voltou a enfatizar que Teerã precisa aderir ao que descreveu como um novo caminho de entendimento. Ele afirmou que a adesão ao acordo seria positiva, mas indicou que a recusa levaria a um cenário distinto, reforçando a mensagem de que o governo americano não aceitará ameaças à estabilidade regional sem resposta.

O presidente também reiterou a possibilidade de ação militar caso não haja avanço nas negociações sobre o programa nuclear iraniano, destacando o envio de uma força naval ampliada para a região, incluindo o porta-aviões Abraham Lincoln e aeronaves F-35. Autoridades iranianas, por outro lado, rejeitaram negociações sob pressão. Araqchi declarou que qualquer diálogo dependerá da retirada de ameaças e exigências, acrescentando que as Forças Armadas do país estão preparadas para reagir de forma imediata a eventuais ataques.

A escalada de tensões ao longo do ano foi intensificada após a repressão a protestos internos motivados pela crise econômica e pela inflação elevada. Segundo organizações de direitos humanos, mais de cinco mil manifestantes morreram durante as manifestações, que também foram acompanhadas por restrições à internet. Ali Shamkhani, conselheiro do líder supremo iraniano, afirmou que um ataque dos Estados Unidos seria interpretado como o início de uma guerra aberta.

Lucas Allabi: Jornalista formado pela PUC-SP e apaixonado pelo Sul Global. Escreve principalmente sobre política e economia. Instagram: @lu.allab
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