É muita injustiça descontextualizar uma fala de Lula para dizer que ele não se preocupa com um eventual ataque dos Estados Unidos ao Irã. O que está sendo vendido como indiferença é, na verdade, uma distorção deliberada de uma resposta dada dentro de um contexto diplomático específico.
Trata-se de um tipo especialmente insidioso de fake news: retirar uma frase do contexto para fazer com que a opinião de alguém pareça exatamente o contrário do que ela pensa. É uma manipulação que não altera palavras, mas altera o sentido.
Antes de qualquer frase que possa gerar polêmica, ele afirma de maneira categórica qual é sua posição sobre o tema. Suas primeiras palavras em relação à guerra foram claras: “Nós não estamos precisando de guerra, estamos precisando de paz, de investimento e de desenvolvimento, que é o que melhora a vida do povo.”
Essa é a espinha dorsal da resposta, e não a frase pinçada depois. Transformar a declaração em sinal de descaso é inverter completamente o sentido do que foi dito.
A seguir, a íntegra da pergunta e da resposta, já revisada para facilitar a leitura.
Repórter: Presidente, o senhor vai para Abu Dhabi agora e existem rumores e informações de que o Irã pode ser atacado. Há notícias de um ataque iminente dos Estados Unidos. O senhor já negociou um acordo nuclear alguns anos atrás, e Abu Dhabi tem bases americanas. Qual é a sua posição?
Lula: Eu vou para Abu Dhabi discutir os interesses dos Emirados Árabes com o Brasil. Não vou discutir guerra. Eu não sou representante da ONU, não sou membro permanente do Conselho de Segurança. Vou tratar da relação comercial e política entre o Brasil e os Emirados Árabes. Nós não estamos precisando de guerra, estamos precisando de paz, de investimento e de desenvolvimento, que é o que melhora a vida do povo. Eu não estou preocupado com o que os Estados Unidos vão fazer com o Irã, porque estou preocupado com o que o Brasil vai fazer com os Emirados Árabes. Sobre conversar com o presidente Trump, não sei ainda. Se a gente falar antes o que vai acontecer na reunião, não precisa ter reunião. Tenho uma pauta de interesse do Brasil, outra de interesse do multilateralismo e outra de interesse da democracia, e é isso que vou conversar com ele.
A frase isolada sobre não estar preocupado é claramente infeliz, mas só se torna problemática quando arrancada do seu contexto. Ele estava explicando que sua agenda nos Emirados Árabes era bilateral e voltada aos interesses brasileiros.
Quem acompanha o histórico de Lula sabe que ele é uma das lideranças que mais se posicionam contra guerras e aventuras militares. Sua defesa do multilateralismo, da ampliação do Conselho de Segurança e da redução de gastos com armamentos é antiga e consistente.
No caso específico do Irã, sua atuação vai muito além das palavras. Em 2010, Lula colocou seu prestígio internacional em jogo ao lado da Turquia para costurar um acordo nuclear que evitasse uma escalada militar.
O entendimento foi inicialmente esvaziado pelos Estados Unidos, à época sob Barack Obama, que não demonstraram disposição de reconhecer o protagonismo brasileiro. Pouco tempo depois, porém, Washington firmou um acordo com parâmetros semelhantes aos que haviam sido negociados por Lula.
Esse acordo só foi rompido anos mais tarde, já no governo Donald Trump, reacendendo tensões que haviam sido contidas por via diplomática. Ou seja, Lula não apenas discursou pela paz, ele atuou concretamente para evitar um conflito que há décadas ronda o Irã.
Ignorar esse histórico para sugerir indiferença é desonesto. É transformar uma frase deslocada do contexto em instrumento de confusão política.
A manchete que destaca apenas um trecho e ignora o restante da resposta cria uma narrativa artificial. É um método conhecido de produzir ruído a partir de recortes convenientes.
Há também uma tentativa evidente de semear confusão na base social que apoia o presidente. O alvo são setores da esquerda que, com razão, estão preocupados com a escalada militar no Oriente Médio.
Seria absurdo concluir que Lula não se preocupa com a possibilidade de guerra contra o Irã. O que ele disse foi que, naquele momento e naquela viagem, sua prioridade era defender os interesses do Brasil e reafirmar a necessidade de paz.
Assista ao trecho completo da fala e julgue por você mesmo.
🇮🇷É o tipo especialmente insidioso de fake news tirar uma frase de contexto para fazer parecer que alguém disse exatamente o contrário do que pensa.
— O Cafezinho 🇧🇷 (@ocafezinho) February 24, 2026
Lula é uma das lideranças globais mais combativas na defesa da paz e, no caso do Irã, sua posição é antiga e prática: ele já… pic.twitter.com/dOQK5Z3ZSa


Saulo
24/02/2026 - 16h52
Somente um completo transtornado mental como Miguel do Rosário pode se reduzir ao papel de “explicador das asneiras de Lula”, como se as pessoas não soubessem entender as cretinices que este asno fala, como se fosse alguma novidade ouvir asneiras terceiromundistas o dia todo por mais de duas décadas.
Somente um completo cretino pode se reduzir ao esse papel patético.
Devolve o dinheiro dos brasileiros e vá caçar um serviço Miguel do Larápio.