Silicon Valley está com os nervos à flor da pele.
Enquanto Amazon, Microsoft, Meta e Google se preparam para torrar mais de US$ 650 bilhões em inteligência artificial só em 2026, a chinesa DeepSeek está a dias — talvez horas — de lançar seu novo modelo V4. E o mercado já sabe: pode ser o segundo round do terremoto de 2025.
Quando o V3 chegou, no início do ano passado, o Nasdaq despencou 3% num único dia. As ações da Nvidia caíram 17%, evaporando US$ 600 bilhões em valor de mercado. Tudo isso causado por um modelo feito com menos de US$ 6 milhões, usando chips Nvidia de menor potência. Agora, com o V4, o temor é maior ainda: se ele se equiparar ou superar os atuais da OpenAI e da Anthropic, “as coisas podem ficar bem feias”.
Mas o que realmente está deixando Wall Street e Washington em polvorosa vai muito além do desempenho técnico.
Segundo reportagem da Reuters, a DeepSeek quebrou o protocolo habitual da indústria e não deu acesso antecipado do V4 nem para Nvidia nem para AMD. Em vez disso, concedeu semanas de vantagem para fornecedores chineses, especialmente a Huawei, para que o modelo já nasça otimizado para hardware nacional.
Um oficial sênior da Casa Branca alegou ainda que o treinamento teria sido feito com os chips Blackwell, os mais avançados da Nvidia, em um cluster na Mongólia Interior. No entanto, até o momento não foram apresentadas provas concretas que sustentem essa acusação.
Enquanto Washington acusa, é impossível não lembrar da hipocrisia escancarada das próprias gigantes americanas. Google, Meta, Microsoft e companhia construíram seus impérios colhendo e monetizando dados de bilhões de pessoas no mundo inteiro, violando leis de privacidade em dezenas de países, sem nunca dar satisfação a ninguém. Para elas, regras e soberania digital sempre foram coisa que se aplica aos outros.
E aqui entra o detalhe mais irônico de toda essa história.
O surgimento explosivo da DeepSeek e de dezenas de outros projetos inovadores chineses em inteligência artificial e chips avançados não aconteceu apesar das sanções americanas, mas justamente por causa delas.
Ao tentar bloquear o acesso da China a tecnologias de ponta, os Estados Unidos acabaram criando exatamente na China o ecossistema que tanto temiam: uma nova geração de startups chinesas ágeis e agressivas, um governo chinês pressionado a fazer investimentos bilionários em pesquisa e produção nacional, e toda uma indústria chinesa agora correndo atrás da autossuficiência tecnológica com urgência e determinação.
As sanções americanas, em vez de sufocar, funcionaram como esteroide para a inovação chinesa.
Enquanto as big techs queimam trilhões tentando manter uma liderança cada vez mais contestada, Pequim transforma pressão externa em combustível para independência tecnológica.
O V4 da DeepSeek está chegando…
E o pânico em Silicon Valley nunca esteve tão justificado… nem tão revelador do fracasso da estratégia americana.


Nenhum comentário ainda, seja o primeiro!