Israel afirmou neste sábado, 28 de fevereiro de 2026, ter realizado um ataque “preventivo” contra o Irã, em uma ofensiva que reacende a escalada militar no Oriente Médio e reduz as perspectivas de solução diplomática para a disputa em torno do programa nuclear iraniano. As informações foram divulgadas pela agência Reuters.
Segundo a reportagem, o jornal The New York Times, citando um funcionário dos Estados Unidos, informou que ataques norte-americanos contra o Irã também estavam em andamento, indicando possível envolvimento direto de Washington na operação.
Ataque “preventivo” e coordenação com os EUA
O governo israelense apresentou a ofensiva como uma medida para “remover ameaças” contra o país. O ministro da Defesa, Israel Katz, declarou: “O Estado de Israel lançou um ataque preventivo contra o Irã para remover ameaças ao Estado de Israel”.
De acordo com um funcionário da Defesa israelense ouvido pela Reuters, a operação vinha sendo planejada há meses em coordenação com os Estados Unidos, e a data teria sido definida semanas antes do lançamento. Caso confirmado, o dado reforça o caráter estratégico da ação e a convergência entre Israel e Washington na condução da crise envolvendo o programa nuclear e o sistema de mísseis iraniano.
Explosões em Teerã e alerta em Israel
A imprensa iraniana relatou explosões em Teerã na manhã de sábado. Imagens divulgadas nas redes sociais mostrariam fumaça após detonações na capital.
Em Israel, sirenes soaram por volta das 08h15 no horário local. Segundo o Exército israelense, o alerta foi emitido de forma “proativa”, como medida de preparação diante da possibilidade de retaliação com mísseis.
As autoridades anunciaram o fechamento de escolas e locais de trabalho, exceto serviços essenciais, além de restrições a atividades públicas. O espaço aéreo israelense foi fechado para voos civis, e a autoridade aeroportuária orientou a população a não se dirigir aos aeroportos.
Histórico recente e impasse diplomático
A ofensiva ocorre meses após Israel e Irã terem protagonizado uma guerra aérea de 12 dias em junho, conforme recorda a Reuters. O novo episódio sinaliza continuidade da escalada militar.
Em fevereiro, Estados Unidos e Irã haviam retomado negociações com o objetivo de buscar uma solução diplomática para a disputa nuclear. As tratativas, porém, esbarraram em divergências estruturais.
Israel defendia que qualquer acordo deveria incluir o desmantelamento da infraestrutura nuclear iraniana, além de restrições ao programa de mísseis. O Irã afirmou estar disposto a discutir limitações nucleares em troca do levantamento de sanções, mas rejeitou vincular o tema aos mísseis balísticos.
O impasse entre as exigências ocidentais e a posição iraniana reduziu o espaço para uma solução intermediária.
Liderança iraniana e risco de retaliação
Uma fonte citada pela Reuters afirmou que o líder supremo do Irã, aiatolá Ali Khamenei, não estaria em Teerã e teria sido levado para um local considerado seguro.
O governo iraniano declarou que responderá a qualquer ataque. Também advertiu que poderá retaliar contra bases norte-americanas na região caso os Estados Unidos participem diretamente da ofensiva.
A Reuters recorda que, em junho, após ataques israelenses com apoio dos EUA contra instalações nucleares iranianas, Teerã lançou mísseis em direção à base aérea de Al Udeid, no Catar, descrita como a maior base militar dos Estados Unidos no Oriente Médio.
Disputa nuclear no centro da crise
Potências ocidentais afirmam que o programa de mísseis balísticos do Irã pode servir como meio de entrega de armamento nuclear. Teerã nega buscar armas atômicas, mas permanece sob pressão internacional devido ao avanço de suas capacidades nucleares.
Ao classificar a operação como “preventiva”, Israel busca enquadrar a ofensiva como medida de autodefesa diante de ameaças consideradas iminentes.
Com relatos de explosões em Teerã, alertas em Israel e indícios de envolvimento norte-americano, o cenário regional volta a registrar elevado risco de confrontação ampliada. A depender da resposta iraniana e da continuidade das ações militares, o episódio pode inaugurar uma nova fase de instabilidade no Oriente Médio.


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