“Saquear, degolar, roubar — a essas coisas dão o falso nome de império; e onde fazem um deserto, chamam isso de paz.”
A frase é de Calgaco, chefe caledônio, antes de enfrentar as legiões romanas na Bretanha. Tácito a registrou no Agrícola, há quase dois mil anos. Das legiões de Roma às bombas de Washington, a gramática imperial não mudou uma vírgula.
Os Estados Unidos iniciaram uma ofensiva contra o Irã que pode se tornar uma das guerras mais sangrentas e devastadoras da história moderna.
O ataque, sem provocação alguma, foi covarde.
O Irã estava no meio de negociações diplomáticas, com sinais concretos de distensão.
Teerã reiterava que não desenvolvia armamento nuclear e atendia a praticamente todas as exigências de Washington. A decisão americana rompeu esse caminho de forma brutal.
A lógica por trás dessa política é cristalina. Israel não controla os Estados Unidos. É o contrário. Israel funciona como entreposto militar avançado de Washington no Oriente Médio.
Sua existência fortalece a projeção imperial americana e engorda diretamente a indústria bélica dos EUA. A voracidade não obedece a racionalidade geopolítica nem a interesse econômico nacional. Obedece ao setor que realmente manda em Washington, o complexo industrial-militar.
Donald Trump e o núcleo duro do Partido Republicano têm enorme responsabilidade, mas os tambores de guerra vêm sendo rufados há décadas pelos dois principais partidos americanos, com ajuda inclusive de parte da esquerda, já que figuras como Alexandria Ocasio-Cortez também embarcaram nos exageros e nas narrativas anti-iranianas plantadas na mídia ocidental. Trump, no entanto, é um caso à parte. Líder fraco e incapaz, fez a campanha mais fraudulenta da história americana, prometendo acabar com as “guerras eternas” e jurando ter encerrado sete ou oito conflitos. Mentira descarada. Seu segundo mandato já é o mais instável e belicoso da história recente.
A reação europeia rasga a máscara de uma vez. Diante de uma agressão flagrantemente ilegal, sem autorização do Conselho de Segurança e violando a Carta da ONU, não houve uma única condenação clara. Pelo contrário, as lideranças ocidentais se ajoelharam diante do Neocalígula do Norte.
Kaja Kallas, chefe da diplomacia europeia, e Ursula von der Leyen, presidente da Comissão Europeia, reagiram com declarações quase idênticas. Lamentaram os “acontecimentos perigosos”, reafirmaram sanções contra o Irã e chamaram o regime de “assassino”, sem uma única palavra contra os bombardeios americanos.
Emmanuel Macron afirmou que “o desencadeamento da guerra entre os Estados Unidos, Israel e o Irã traz graves consequências”, que “a escalada em curso é perigosa para todos” e que “ela deve cessar”. Acrescentou que “o regime iraniano deve compreender que não tem mais outra opção senão iniciar uma negociação de boa-fé” e que “os massacres perpetrados pelo regime islâmico o desqualificam”.
Keir Starmer resumiu a posição britânica dizendo que “o Irã jamais deve ser autorizado a desenvolver uma arma nuclear”.
Nenhuma palavra contra os bombardeios covardes. Apenas sanções ao agredido e cobertura diplomática ao agressor. O suicídio da Europa é um dos espetáculos mais patéticos da geopolítica contemporânea.
Isso tudo acontece depois de Israel protagonizar o genocídio em Gaza, expandir ocupações e violências na Cisjordânia, praticar prisões em massa, torturas e bombardear Líbano, Jordânia e Iêmen, sempre com o selo de aprovação americano e europeu. A indignação histérica contra a Rússia na Ucrânia revela-se agora naquilo que sempre foi, puro cinismo. A Rússia tinha e tem toda razão em temer pela própria segurança. Washington ataca quem quiser, quando quiser. Basta não se ajoelhar.
No plano global, o desgaste é abissal. Israel vive a pior crise de imagem de sua história. Nos próprios Estados Unidos, pesquisa Gallup divulgada em 27 de fevereiro de 2026 registra a virada histórica. Agora 41% dos americanos simpatizam mais com os palestinos, contra 36% com os israelenses. Em 2025, o placar era 46% a 33% a favor de Israel; em 2021, chegava a 58% a 25%.
A maioria global, o Sul Global, assiste em estado de choque. O papel da mídia ocidental nesse processo é particularmente diabólico. Protestos legítimos no Irã foram infiltrados e transformados em provocação armada, com tiroteios, mortes de policiais e agentes de segurança, incêndios criminosos de hospitais e clínicas. Multiplicam-se as denúncias de que a escalada foi deliberadamente orquestrada por serviços de inteligência estrangeiros, Mossad e CIA, para fabricar a imagem de “repressão brutal” e justificar o massacre.
Em pronunciamento transmitido diretamente da Casa Branca, Trump deixou claro o objetivo real, sem disfarce.
“Há pouco tempo, as Forças Armadas dos Estados Unidos iniciaram grandes operações de combate no Irã… Vamos destruir seus mísseis e arrasar sua indústria de mísseis até o chão. Vamos aniquilar sua marinha… Ao grande e orgulhoso povo do Irã… Bombas cairão por todos os lados. Quando terminarmos, tomem o seu governo. Ele estará lá para ser tomado. Provavelmente será a única chance de vocês por gerações.”
Não se trata de “regime change”. Trata-se de destruição total, de transformar o Irã numa nova Líbia, numa nova Síria, um não-país devastado, um campo de ruínas. A Europa, em sua cegueira subserviente, nem percebe que isso significará milhões de refugiados iranianos batendo às suas portas, como aconteceu com iraquianos e líbios.
O Irã era, até ontem, um dos países mais estáveis do Oriente Médio. Vinha superando sanções unilaterais, covardes, e avançava na integração com a China via Nova Rota da Seda. Mas os Estados Unidos não querem infraestrutura, não querem prosperidade. Sua estratégia é apenas promover morte, destruição e sofrimento.
O objetivo, cada vez mais claro, é transformar todo o Sul Global numa grande Faixa de Gaza. E seus “aliados” que se cuidem, vide as ameaças constantes de anexação do Canadá e Groenlândia…
Esta guerra contra o Irã é também uma guerra contra a China e contra todo o Sul Global. O Irã é membro pleno dos BRICS e fornecedor estratégico de petróleo a Pequim. O conflito vai escalar porque a intenção americana parece ser provocar uma conflagração mundial de grandes proporções antes que a China complete seu ciclo de desenvolvimento tecnológico e militar. Ao final desse ciclo, Pequim terá superado os Estados Unidos em todos os aspectos decisivos. Washington sabe disso e quer desestabilizar o tabuleiro global enquanto ainda pode, saqueando o planeta o máximo possível enquanto ainda detém a supremacia das armas.
O contraste com o Sul Global não poderia ser mais gritante. Enquanto as lideranças europeias se ajoelham diante do agressor, praticamente todos os países do Sul Global foram assertivos na condenação aos ataques contra o Irã. O Brasil, por meio do Itamaraty, condenou expressamente os bombardeios e manifestou “grave preocupação com os ataques realizados por Estados Unidos e Israel contra alvos no Irã”. A nota brasileira lembrou que os ataques ocorreram “em meio a um processo de negociação entre as partes, que é o único caminho viável para a paz”. O governo brasileiro apelou a todas as partes que “respeitem o Direito Internacional e exerçam máxima contenção”. É a voz da civilização contra a barbárie.
Para o Brasil, o recado é direto e urgente. A eleição presidencial de 2026 ganha importância geopolítica gigantesca. Não podemos nos alinhar a vampiros que não respeitam ninguém e destroem quem não se curva.
Nossa principal defesa é o que sempre foi, a doutrina da paz e o respeito intransigente ao direito internacional. A ONU precisa ser fortalecida e democratizada, o Conselho de Segurança ampliado, e o mundo precisa se unir numa grande coalizão contra o imperialismo sanguinário dos Estados Unidos.
O Neocalígula do Norte quer destruir o mundo. Cabe a nós, e à maioria global, impedir que ele consiga.


Natailia
28/02/2026 - 11h48
O irà é uma montanha de merda (coisa que a esquerda adora, tudo que é lixo a esquerda tà lambendo…) e està com os dias contados.
A proxima é Cuba e nesse caso serà um apoteose ver os esquerdistas imundos ranger os dentes até quebrar e espumar bilis pelos cantos
da boca até se afogar !! kkkkkkk