O governo da Rússia afirmou nesta quarta-feira (4) que os Estados Unidos utilizaram uma “ameaça imaginária” atribuída ao Irã como justificativa para lançar ataques com o objetivo de desestabilizar a ordem constitucional iraniana. Moscou também criticou declarações de autoridades americanas incentivando a população iraniana a assumir o poder no país.
A acusação foi feita pela porta-voz do Ministério das Relações Exteriores russo, Maria Zakharova, durante coletiva de imprensa em Moscou. Segundo ela, a narrativa sobre uma suposta ameaça iraniana — reiterada por Washington ao longo de anos — serviu apenas como pretexto para implementar um plano de mudança de regime em um Estado soberano que “Washington e Tel Aviv não apreciam”.
Zakharova afirmou ainda que os Estados Unidos teriam usado negociações diplomáticas mantidas com Teerã até a semana passada como cobertura para ocultar a intenção de promover uma ruptura institucional no país. “Não há dúvida de que a ameaça iraniana inventada foi apenas um pretexto para executar um plano antigo de derrubar violentamente a ordem constitucional de um Estado soberano”, declarou.
Sem mencionar nominalmente o presidente americano, Donald Trump, a diplomata fez referência a declarações que defendiam que os iranianos assumissem o controle do país. “É ainda mais cínico e desumano ouvir apelos para que os iranianos tomem o poder, enquanto o Ocidente literalmente arranca essas mãos deles”, afirmou.
A Rússia mantém tratado de parceria estratégica com o Irã. O presidente Vladimir Putin já havia condenado o que classificou como o “assassinato cínico” do líder supremo iraniano, Ali Khamenei, morto no primeiro dia da ofensiva conduzida por forças americanas e israelenses no último sábado.