Rússia acusa EUA e Israel de usar “ameaça imaginária” para justificar guerra contra o Irã

Maria Zakharova, porta voz da Rússia, em 4 de março de 2026

A Rússia elevou o tom contra os Estados Unidos e Israel após os ataques militares contra o Irã e a morte do líder supremo iraniano, o aiatolá Ali Khamenei, em bombardeios que ampliaram drasticamente a crise no Oriente Médio. Em pronunciamento oficial, a porta-voz do Ministério das Relações Exteriores russo afirmou que a ofensiva representa uma agressão não provocada contra um Estado soberano e pode mergulhar a região em uma escalada de violência sem precedentes.

Segundo Moscou, a situação não pode ser tratada apenas como um episódio regional. O governo russo afirma que o conflito se transformou em uma crise internacional com potencial de provocar consequências imprevisíveis para a segurança global.

De acordo com a diplomacia russa, Washington e Tel Aviv estariam violando princípios básicos do direito internacional ao atacar o território iraniano e ao promover uma estratégia aberta de mudança de regime em Teerã. A narrativa sobre uma suposta ameaça iraniana, afirmou a porta-voz, teria sido construída ao longo de anos para legitimar uma intervenção militar.

Na avaliação do governo russo, as negociações diplomáticas conduzidas anteriormente com o Irã teriam sido utilizadas como “operação de fachada” para preparar a derrubada do governo iraniano. Moscou sustenta que o objetivo real da ofensiva seria desmantelar a ordem constitucional do país e substituir sua liderança política.

A porta-voz russa também criticou duramente declarações de líderes ocidentais que celebraram a morte do líder iraniano ou a possibilidade de mudança política em Teerã. Para ela, tais declarações ignoram o impacto humanitário da guerra e o grande número de vítimas civis.

No discurso, a diplomata afirmou que ataques a instalações nucleares e a centros estratégicos do país representam um risco grave de ampliação do conflito. Segundo ela, o uso da força nessas circunstâncias pode desencadear uma reação em cadeia de confrontos militares na região.

O governo russo também advertiu que a escalada pode empurrar o Oriente Médio para um cenário de instabilidade prolongada, com repercussões que ultrapassam as fronteiras da região. Para Moscou, a ofensiva militar dos Estados Unidos e de Israel ameaça destruir qualquer possibilidade de solução diplomática para a crise.

Ao comentar as declarações de líderes europeus que falaram em uma “nova esperança para o povo iraniano”, a porta-voz afirmou que esse tipo de discurso funciona, na prática, como uma justificativa para a eliminação física da liderança de um Estado soberano e para a morte de civis.

A diplomata comparou o cinismo dessas declarações à propaganda de regimes autoritários do passado e afirmou que o sofrimento da população iraniana não pode ser tratado como instrumento de disputa geopolítica.

No encerramento de sua fala, ela questionou quantas vidas ainda serão perdidas em nome da promessa de um novo futuro político para o Irã, alertando que o número de vítimas do conflito continua aumentando.


Quem é Maria Zakharova

A autora das declarações é Maria Zakharova, porta-voz oficial do Ministério das Relações Exteriores da Rússia e uma das figuras mais conhecidas da diplomacia do país. Diplomata de carreira e formada pelo Instituto Estatal de Relações Internacionais de Moscou (MGIMO), ela ocupa o cargo desde 2015 e tornou-se a primeira mulher a exercer a função de porta-voz da chancelaria russa. Conhecida pelo estilo direto e combativo em suas coletivas de imprensa, Zakharova se tornou uma das principais vozes públicas da política externa do Kremlin em crises internacionais.

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