O economista Paul Krugman, vencedor do Nobel, fez a pergunta que deveria estar na boca de todos: “A guerra no Irã custa US$ 1 bilhão por dia… até quando isso vai continuar?”
Num vídeo recente, Krugman evocou o vilão Dr. Evil, de Austin Powers, que achava “1 milhão de dólares” uma fortuna.
No mundo real de 2026, 1 milhão é troco, mas 1 bilhão por dia ainda é muito dinheiro, mesmo para os Estados Unidos.
O raciocínio dele é direto: esse valor sozinho não quebra o orçamento americano, mas desvia recursos de tudo o mais. A Reuters informa que o governo Trump pretende pedir ao Congresso algo como US$ 50 bilhões para repor mísseis, bombas e equipamentos já consumidos nas primeiras semanas de conflito.
Se comparado a programas sociais, o dinheiro gasto em poucas semanas de bombardeio daria para cobrir saúde e alimentação de milhões de americanos. Mas Krugman vai além e faz uma comparação ainda mais reveladora.
Em três anos de apoio à Ucrânia, os Estados Unidos gastaram cerca de US$ 150 bilhões, algo perto de US$ 50 bilhões por ano, com europeus dividindo a conta e ucranianos sustentando o peso humano do combate. Com aliados e planejamento, esse dinheiro foi suficiente para conter a Rússia, uma potência militar muito maior que o Irã.
No Irã, os mesmos US$ 50 bilhões estão sendo queimados em questão de semanas, sem aliados e contra um adversário menor. Krugman faz a pergunta que resume tudo: por que defender a Ucrânia era tão barato e por que atacar o Irã é tão caro? A resposta, diz ele, é simples: não houve planejamento e não há aliados para dividir o peso.
O conflito começou em 28 de fevereiro de 2026, quando Estados Unidos e Israel lançaram ataques contra o Irã, mirando lideranças, forças de segurança e instalações ligadas ao programa nuclear. Cinco dias depois, os efeitos já se espalham pelo mundo.
A passagem de navios pelo Estreito de Ormuz, por onde escoa boa parte do petróleo mundial, ficou comprometida. A Reuters fala em alta de cerca de 12% no preço do barril, o que significa gasolina e energia mais caras para todo o planeta.
Trump tenta vender a ideia de uma guerra rápida, de quatro semanas. Mas a própria dinâmica do conflito desmente a promessa. Há avaliações de que o enfrentamento pode durar meses ou até anos, dependendo da resistência iraniana, dos objetivos reais da operação e da total ausência de um plano para o dia seguinte.
O Congresso americano, que deveria funcionar como freio, também falhou. Nesta semana, o Senado bloqueou uma tentativa de exigir que a Casa Branca obtivesse autorização legislativa para continuar a campanha. Trump ganhou carta branca justamente quando alguém deveria estar puxando o freio de mão.
Quando Krugman diz que “ter aliados é muito importante”, está descrevendo um país que trocou diplomacia por bombas e aposta que a destruição resolverá o que a política não quis enfrentar. Uma guerra “de semanas” pode virar ocupação de meses, um objetivo “limitado” pode escorregar para mudança de regime, e uma conta “administrável” pode virar descontrole.
Ser contra essa guerra não é ingenuidade. É bom senso. Cada bilhão gasto em bombas é um bilhão que deixa de ir para hospitais, escolas, estradas e energia limpa. A história recente do Oriente Médio é um cemitério de promessas de campanhas curtas. E por trás de cada número há gente morrendo e uma região empurrada para mais caos.
A pergunta “até quando?” não pode ficar nas mãos de generais e da vaidade de um presidente. Ela precisa ser respondida pela política e pela sociedade, antes que a conta financeira e a conta moral se tornem impagáveis.