O presidente da Rússia, Vladimir Putin, afirmou nesta quarta-feira (4) que a crise recente nos mercados globais de energia está ligada principalmente às políticas energéticas adotadas por governos europeus. A declaração foi dada em Moscou após uma reunião com o ministro das Relações Exteriores e do Comércio da Hungria, Péter Szijjártó.
Durante conversa com jornalistas, Putin disse que a Rússia continua sendo um fornecedor confiável de recursos energéticos e que pretende manter o envio de petróleo e gás a parceiros que permaneçam “contrapartes confiáveis”. Ele citou especificamente países da Europa Oriental, como Eslováquia e Hungria, que continuam importando energia russa.
Segundo o presidente russo, o aumento recente nos preços internacionais de petróleo e gás tem múltiplos fatores. Ele afirmou que parte da alta está relacionada às restrições impostas por países europeus à importação de petróleo russo. Ao mesmo tempo, acrescentou que o cenário também foi agravado por tensões no Oriente Médio, incluindo a escalada de conflitos envolvendo o Irã e o fechamento do Estreito de Ormuz, uma das principais rotas globais de transporte de petróleo.
Putin destacou ainda que, no caso do gás natural, o aumento dos preços na Europa não estaria diretamente ligado a uma redução de oferta. Ele citou que os principais fornecedores — entre eles Argélia, Estados Unidos, Noruega e a própria Rússia — não teriam diminuído significativamente suas entregas. Mesmo assim, segundo ele, os preços chegaram a cerca de US$ 700 em determinados momentos.
De acordo com o presidente russo, o movimento se explica em parte pela dinâmica do mercado global de energia. Quando compradores estão dispostos a pagar preços mais altos pelo gás, afirmou, empresas tendem a direcionar suas exportações para esses mercados, em busca de maior retorno financeiro.
Putin também mencionou planos anunciados por governos europeus para ampliar restrições à importação de gás russo. Segundo ele, novas medidas podem entrar em vigor ainda em abril, com outras limitações previstas até 2027, quando alguns países discutem a possibilidade de um banimento total.
Nesse contexto, o presidente russo levantou a possibilidade de redirecionar parte das exportações para outros mercados internacionais. Ele afirmou que, caso a Rússia esteja prestes a perder acesso ao mercado europeu, poderia ser economicamente vantajoso antecipar esse processo e fortalecer a presença em países considerados parceiros confiáveis.
Putin ressaltou, no entanto, que nenhuma decisão definitiva foi tomada. Segundo ele, o governo russo deve analisar o tema em conjunto com empresas do setor energético antes de definir eventuais mudanças na política de exportação.