Guerra no Golfo pode parar economia global em duas semanas

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Previsão sinaliza derrota estratégica para Donald Trump.

O ministro de Energia do Catar, Saad al-Kaabi, CEO da QatarEnergy, lançou um alerta dramático em entrevista exclusiva ao Financial Times.

Se o conflito atual no Oriente Médio, envolvendo Irã, Estados Unidos e Israel, se prolongar por algumas semanas, todos os exportadores de energia do Golfo Pérsico serão obrigados a parar completamente a produção e as exportações.

Eles declararão force majeure nos contratos internacionais. “Isso vai derrubar as economias do mundo”, afirmou o ministro.

Ele alertou ainda que, mesmo se a guerra parasse imediatamente, o Catar levaria semanas ou meses para recuperar a plena capacidade após ataques de drone na maior planta de gás natural liquefeito de Ras Laffan.

O mercado reagiu imediatamente. O preço do petróleo Brent fechou esta sexta-feira em torno de US$ 88,90 por barril, com alta de mais de 4% em um único dia.

A previsão de Saad al-Kaabi representa uma derrota estratégica para o presidente Donald Trump. Sua decisão de lançar uma guerra sem motivos contra um dos maiores produtores de petróleo do mundo deve causar um distúrbio tão grande nos mercados globais que o mundo todo vai culpar os Estados Unidos.

Caso as hostilidades não sejam interrompidas imediatamente, o que é difícil acontecer em função da própria dinâmica dessa guerra iniciada por Donald Trump, que é uma guerra de escolha (war of choice), os principais aliados dos Estados Unidos serão os mais prejudicados.

A Europa ficará totalmente asfixiada. Coreia do Sul e Japão não poderão recorrer ao petróleo russo por causa das sanções americanas.

Enquanto isso, os “adversários” da América, como Rússia e China, conseguem escapar da crise. A Rússia possui vastas reservas e pode redirecionar seu petróleo para a China e a Índia.

A Índia deve abandonar completamente a proibição imposta pelos Estados Unidos de importar petróleo russo. Pequim, apesar de ser a maior importadora mundial, já é líder em energias alternativas e acelerará ainda mais a transição para solar, nuclear, eólica e veículos elétricos.

No Brasil, sentiremos o impacto com preços mais altos dos combustíveis. No entanto, nossa grande produção nacional de petróleo nos protege em grande medida.

Números que explicam o risco global

A produção mundial de petróleo e líquidos deve atingir cerca de 108,6 milhões de barris por dia em 2026, segundo a Agência Internacional de Energia (IEA). A demanda global está projetada em aproximadamente 104,9 milhões de barris diários.

Os países do Golfo Pérsico respondem por cerca de 32% da produção mundial. Entre eles, a Arábia Saudita produz cerca de 10 milhões de barris diários, o Iraque 4,6 milhões, os Emirados Árabes Unidos 3,6 milhões, o Kuwait 2,7 milhões e o Irã cerca de 3,3 milhões.

O Catar é um dos maiores produtores mundiais de gás natural liquefeito (GNL), com quase 20% das exportações globais. O Estreito de Ormuz transporta cerca de 20 milhões de barris por dia, equivalente a aproximadamente 20% de todo o petróleo consumido no planeta.

Qualquer interrupção prolongada nessa rota causaria escassez imediata para importadores na Ásia, Europa e América Latina.

O que significa petróleo a US$ 150 o barril?

Saad al-Kaabi alertou que o barril pode disparar para US$ 150. Isso representaria um aumento de mais de 70% em relação ao preço atual.

O mundo consome cerca de 105 milhões de barris por dia. Um aumento de US$ 62 por barril geraria um custo adicional de quase US$ 2,4 trilhões por ano para a economia global.

Esse choque provocaria inflação forte em combustíveis, transporte, alimentos e produtos industrializados. Países importadores enfrentariam contas externas deterioradas, pressão inflacionária e risco elevado de recessão.

Analistas comparam o possível impacto ao choque energético dos anos 1970. “Todos os preços de energia vão subir. Vai haver escassez de produtos e uma reação em cadeia de fábricas que não conseguem fornecer”, completou o ministro catari.

Se a paralisia durar semanas, o mundo pode enfrentar o maior choque energético em décadas. O alerta do Catar não é retórica. É um aviso técnico vindo de quem controla parte vital da energia mundial.

Miguel do Rosário: Miguel do Rosário é jornalista e editor do blog O Cafezinho. Nasceu em 1975, no Rio de Janeiro, onde vive e trabalha até hoje.
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