Irã lança mísseis contra Israel e países do Golfo após posse de Mojtaba Khamenei

Imagem: ynetnews.com

A escalada militar no Oriente Médio ganhou um novo capítulo na madrugada desta segunda-feira (9), quando o Irã lançou sua primeira ofensiva após a nomeação do novo líder supremo, Mojtaba Khamenei. Segundo a emissora estatal iraniana Irib, os ataques marcaram o início das operações militares sob o comando do filho do aiatolá Ali Khamenei, morto em um ataque aéreo israelense no fim de fevereiro.

“O Irã disparou a primeira onda de mísseis sob o comando de Mojtaba Khamenei em direção aos territórios ocupados”, afirmou a emissora estatal em mensagem publicada em seu canal no Telegram. A televisão iraniana também exibiu a imagem de um projétil com a frase “Às suas ordens, sayyid Mojtaba”, utilizando um título honorífico que pode ser traduzido como líder ou mestre.

A ofensiva ocorreu horas após Mojtaba Khamenei, 56, ser anunciado como novo líder supremo do Irã, cargo máximo da República Islâmica. Seu pai, o aiatolá Ali Khamenei, havia sido morto no sábado (28) em um ataque aéreo de Israel contra sua residência oficial. A morte do líder iraniano aprofundou a crise regional que já se intensificava desde o final de fevereiro, quando Estados Unidos e Israel realizaram uma operação surpresa contra a cúpula política e militar iraniana.

Logo após o lançamento dos mísseis, Israel respondeu com uma nova série de ataques. As Forças de Defesa de Israel afirmaram ter atingido infraestrutura militar na região central do Irã e também um alvo do Hezbollah em Beirute. A resposta israelense ocorre enquanto o conflito se espalha por diferentes pontos do Oriente Médio.

Enquanto isso, os efeitos da ofensiva iraniana foram relatados em vários países da região. No Qatar, jornalistas da agência AFP disseram ter ouvido diversas explosões na capital, Doha. O Ministério da Defesa do país afirmou que as forças armadas conseguiram interceptar os projéteis lançados.

Ataques também atingiram o Bahrein. O Ministério da Saúde do país informou que um bombardeio iraniano com drones contra a ilha de Sitra deixou 32 civis feridos. “Todos os feridos são cidadãos do Bahrein”, informou o ministério em comunicado, acrescentando que quatro pessoas estavam em estado grave, incluindo crianças.

Pouco depois, outro ataque atingiu a instalação petrolífera de Al Ma’ameer, também no Bahrein. O bombardeio provocou um incêndio e causou danos materiais à refinaria, segundo autoridades locais.

No Kuwait, o governo afirmou que as forças de defesa aérea interceptaram um novo ataque iraniano. “A defesa do país interceptou um novo ataque com sete mísseis e cinco drones”, informou o Ministério da Defesa kuwaitiano.

As ações iranianas fazem parte de uma ofensiva mais ampla que inclui ataques contra Israel e contra bases militares dos Estados Unidos na região. Alvos americanos em países como Qatar, Kuwait, Bahrein, Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos foram mencionados por autoridades como parte da retaliação iraniana após os bombardeios realizados por Washington e Tel Aviv no final de fevereiro.

Diante da intensificação das hostilidades, o governo americano adotou medidas de segurança adicionais. Os Estados Unidos ordenaram a retirada de parte do pessoal de sua embaixada na Arábia Saudita. A recomendação foi dirigida a funcionários que não desempenham funções de emergência e a familiares de servidores do governo.

A sucessão no comando iraniano também provocou reações políticas nos Estados Unidos. Questionado sobre Mojtaba Khamenei, Donald Trump demonstrou insatisfação com a escolha. “Não estou contente com ele”, disse o presidente americano durante entrevista nesta segunda-feira em um clube de golfe próximo a Miami.

Em declarações anteriores, Trump havia sugerido que Washington deveria ter influência na escolha do novo líder iraniano. “Se ele não tiver nossa aprovação, não vai durar muito”, ele afirmou no domingo (8), em entrevista à ABC News.

O republicano também comentou a condução da guerra e afirmou que as decisões sobre o conflito são discutidas diretamente com o primeiro-ministro israelense, Binyamin Netanyahu. “Acho que é mútuo, um pouco. Temos conversado. Tomarei uma decisão no momento certo, mas tudo será levado em consideração”, declarou Trump ao The Times of Israel.

Ainda assim, o presidente evitou comentar diretamente a nomeação de Mojtaba Khamenei após a confirmação oficial do novo líder. “Veremos o que acontece”, disse.

A crise também provocou reações de outros países da região. A Arábia Saudita condenou os ataques iranianos contra países do Golfo e afirmou que as ações “não podem ser aceitos nem justificados sob nenhuma circunstância”, segundo comunicado divulgado na rede social X.

A Turquia também anunciou medidas militares preventivas. O Ministério da Defesa turco informou que seis caças F-16 foram mobilizados para o Chipre do Norte, território reconhecido apenas por Ancara. A decisão foi tomada uma semana depois de a ilha ter sido alvo de um ataque com drones.

Paralelamente, o conflito continua a se expandir em outras frentes. No Líbano, o Hezbollah afirmou ter intensificado suas operações militares. Em comunicado divulgado no domingo (8), o grupo disse ter realizado 18 ações no mesmo dia.

Segundo o Hezbollah, 13 dessas operações tiveram como alvo Israel, enquanto cinco ocorreram dentro do próprio território libanês, atingindo forças israelenses presentes no país. A ofensiva israelense no Líbano já deixou quase 400 mortos, de acordo com informações citadas pelo jornal The New York Times.

Lucas Allabi: Jornalista formado pela PUC-SP e apaixonado pelo Sul Global. Escreve principalmente sobre política e economia. Instagram: @lu.allab
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