Uma reportagem da agência de notícias Reuters revelou hoje que a escola de meninas bombardeada pelos Estados Unidos no Irã tinha um site na internet, atualizado há vários anos, com fotos das estudantes e comunicação sobre suas atividades. A informação causa perplexidade porque mostra o baixíssimo nível de inteligência dos militares americanos ao atacar um edifício que abrigava tantas crianças, cuja rotina era publicamente documentada online.
A investigação da Reuters, focada em análise visual, descobriu que a escola primária Shajareh Tayyebeh, localizada em Minab, no sul do Irã, mantinha uma presença online vívida. O site exibia dezenas de fotos coloridas das alunas, com idades entre 7 e 12 anos, em salas de aula e em momentos de lazer. A plataforma digital, que estava no ar há anos, listava inclusive o endereço da instituição, que era adjacente a um complexo militar iraniano.
O ataque ocorreu em 28 de fevereiro, o primeiro dia da guerra, por volta das 10h da manhã, horário em que as aulas estavam em pleno andamento, considerando que a semana letiva no Irã vai de sábado a quinta-feira. O bombardeio resultou na morte de mais de 150 estudantes, segundo fontes internacionais. O Washington Post eleva o número de vítimas para 175.
A revelação da Reuters levanta sérias questões sobre os protocolos de inteligência e seleção de alvos das forças armadas dos EUA. A existência de um site detalhado e de longa data, com farto material sobre as atividades infantis no local, sugere uma falha grave na análise de informações de fontes abertas antes da autorização do ataque. Segundo o Washington Post, a escola estava na lista de alvos dos EUA, possivelmente identificada por um sistema de inteligência artificial, que pode ter se baseado em dados desatualizados.
Investigadores militares americanos já admitem como “provável” a responsabilidade dos EUA pelo ataque. Evidências como fragmentos de um míssil Tomahawk de fabricação americana, encontrados perto do local pela NBC News, reforçam essa conclusão. O Pentágono afirmou que “nunca atacaria civis deliberadamente” e que uma investigação está em curso. Israel, por sua vez, negou qualquer operação na área.
Com informações da Reuters (reportagem de James Pearson e Ryan McNeill)