O bloqueio no Estreito de Ormuz continua e já produz efeito devastador sobre a economia global. O preço do petróleo subiu novamente e ultrapassa os 100 dólares por barril.
Dois navios-tanque pegaram fogo no porto iraquiano de Umm Qasr. Um deles, o Zefyros, de bandeira grega, foi atingido por um projétil durante transferência de óleo. Todos os 23 tripulantes foram evacuados em segurança.
Pelo menos seis petroleiros foram atacados nas últimas horas no Golfo e no próprio estreito. O tráfego marítimo está praticamente paralisado.
As remessas de roupas para varejistas ficaram retidas em portos de Bangladesh e da Índia. Navios de gás de cozinha (GLP) estão presos ou desviados. Trata-se do combustível usado diariamente por milhões de famílias indianas e asiáticas.
Restaurantes e hotéis na Índia já alertam para desabastecimento iminente. Apenas nos primeiros seis dias, a guerra custou aos Estados Unidos pelo menos 11,3 bilhões de dólares.
Não poderia haver contraste maior entre essa realidade e as declarações de Donald Trump. Ontem, em comício em Hebron, Kentucky, o presidente disse: “Nós vencemos. Nós vencemos. Na primeira hora acabou.”
Chamou a operação de “excursão”, explicou que “fizemos uma excursão… tivemos que fazer uma pequena viagem” e completou que “acabou sendo mais fácil do que imaginávamos”.
No mesmo dia, foi questionado por uma repórter sobre a escola primária iraniana Shajarah Tayyebeh, atingida em 28 de fevereiro, que matou 175 pessoas, a maioria crianças.
O Pentágono confirmou em investigação preliminar que o ataque foi americano: usou inteligência desatualizada da Defense Intelligence Agency, com coordenadas de uma instalação militar adjacente que havia deixado de funcionar anos antes.
Trump se recusou duas vezes a reconhecer a responsabilidade dos Estados Unidos e sugeriu que o Irã poderia ter disparado o míssil. Disse que o Tomahawk é “muito genérico” e “vendido para outros países”, incluindo o Irã.
Na realidade, apenas três países possuem Tomahawks: Austrália, Reino Unido e Estados Unidos. Nenhum deles é o Irã. Quando a repórter insistiu, perguntando por que ele era o único em seu governo a dizer isso, respondeu: “É porque eu simplesmente não sei o suficiente sobre o assunto.”
Na televisão estatal iraniana, o novo líder supremo Mojtaba Khamenei revelou as perdas pessoais: além do pai, perdeu a esposa, a irmã, o sobrinho pequeno e o cunhado. Todos vítimas dos bombardeios americanos e israelenses.
Ele ordenou que as bases americanas na região sejam fechadas imediatamente. Reforçou que o bloqueio do Estreito de Ormuz continuará como alavanca de pressão e anunciou preparativos para novas frentes de ataque.
O comandante da Marinha do Corpo de Guardiões da Revolução Islâmica declarou: “Vamos entregar os golpes mais severos ao inimigo agressor, mantendo o Estreito de Ormuz fechado.”
No Líbano, Israel emitiu novas ordens de evacuação para bairros centrais de Beirute e ampliou a zona de risco no sul do país. Um ataque atingiu acampamentos de deslocados, matando oito civis.
Mais de 800 mil libaneses já deixaram suas casas. O conflito entra no 12º dia com o estreito ainda fechado, o petróleo em alta e o mundo sentindo o impacto em suprimentos essenciais.