O presidente Donald Trump acaba de informar um ataque que pode escalar dramaticamente a guerra no Irã. Ao atingir a ilha de Kharg, principal ponto de escoamento do petróleo iraniano, os Estados Unidos enviam a mensagem de que já não reconhecem limites claros para sua ação militar no conflito. A tendência é que o Irã responda ampliando ataques contra refinarias, terminais e outras infraestruturas energéticas da região, o que pode empurrar os preços do petróleo para patamares ainda mais altos nos próximos dias. Fica cada vez mais evidente que Donald Trump perdeu o controle da escalada e empurra a guerra para uma dimensão cada vez mais perigosa.
Os Estados Unidos atacaram nesta sexta-feira alvos militares na ilha iraniana de Kharg, principal polo de exportação de petróleo do país. O presidente Donald Trump afirmou que a operação destruiu objetivos militares, mas preservou a infraestrutura petrolífera da ilha.
Kharg responde por cerca de 90% das exportações de petróleo do Irã. Ao comentar a ação, Trump ameaçou rever a decisão de poupar a estrutura energética caso o Irã continue interferindo na navegação no Estreito de Ormuz, rota estratégica por onde passa uma parcela decisiva do petróleo comercializado no mundo.
A ofensiva ocorre em meio à forte instabilidade nos mercados internacionais de energia. Desde o início da guerra, o temor de interrupções mais amplas no fornecimento já provocou oscilações intensas nos preços do barril. Analistas acompanham agora o risco de danos à rede de oleodutos, terminais e tanques de armazenamento da ilha, o que poderia agravar ainda mais a crise de abastecimento.
Mesmo sob ataque, o Irã vinha mantendo embarques de petróleo a partir de Kharg. Imagens de satélite mostraram superpetroleiros carregando na ilha nos últimos dias. Entre o fim de fevereiro e esta semana, as exportações iranianas oscilaram entre 1,1 milhão e 1,5 milhão de barris por dia.
O novo líder supremo iraniano, Mojtaba Khamenei, prometeu manter fechado o Estreito de Ormuz e ameaçou países vizinhos que abriguem bases americanas. Em resposta, Trump afirmou que a Marinha dos EUA deve iniciar em breve a escolta de petroleiros na região.
Potências europeias também discutem formas de proteger o tráfego marítimo no Golfo. A França abriu consultas com países europeus, asiáticos e árabes para estudar uma operação de escolta naval.
Ao mesmo tempo, Washington autorizou por 30 dias a compra de petróleo russo já embarcado, numa tentativa de aliviar a pressão sobre a oferta global. A medida gerou críticas de governos europeus e da Ucrânia, que veem na decisão um alívio indireto para o esforço de guerra de Moscou.
A guerra já deixou cerca de 2 mil mortos, a maioria no Irã, além de ampliar o número de deslocados em vários países do Oriente Médio. Israel intensificou bombardeios no Irã e no Líbano, enquanto os Estados Unidos anunciaram o envio de novos reforços militares para a região, incluindo o USS Tripoli e cerca de 2.500 fuzileiros navais.
Com informações da Reuters.

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