Israel bombardeia Beirute e sul do Líbano enquanto Hezbollah anuncia ofensiva contra o país

Imagem: Alfredo Zuniga/Anadolu via Getty Images

Ataques aéreos israelenses atingiram os subúrbios do sul de Beirute e diversas áreas do sul do Líbano na madrugada desta segunda-feira (16), em meio à escalada do conflito entre Israel e o grupo xiita Hezbollah. A ofensiva faz parte de uma nova fase da guerra que se intensificou nas últimas semanas e ampliou o risco de uma crise mais ampla no Oriente Médio.

Segundo a agência estatal libanesa National News Agency (NNA), múltiplos bombardeios foram registrados tanto na capital quanto em cidades do sul do país. Imagens divulgadas por agências internacionais mostram grandes colunas de fumaça se formando sobre bairros da periferia sul de Beirute, área conhecida como Dahieh e considerada um dos principais redutos políticos e militares do Hezbollah.

O Exército israelense afirmou que os ataques fazem parte de operações contra infraestrutura militar do grupo armado apoiado pelo Irã. Nos últimos dias, as Forças de Defesa de Israel (IDF) também anunciaram o início de operações terrestres limitadas no sul do Líbano, com o objetivo declarado de atingir posições do Hezbollah e reforçar as linhas defensivas próximas à fronteira norte de Israel.

Segundo autoridades israelenses, essas operações têm como alvo bases, depósitos de armas e posições de lançamento de foguetes utilizadas pelo grupo. A ofensiva ocorre após uma série de ataques com foguetes disparados do território libanês contra cidades e posições militares israelenses.

O Hezbollah afirmou ter realizado ao menos cinco ataques contra alvos israelenses nesta segunda-feira. No domingo (15), o grupo disse ter lançado cerca de 25 ataques contra posições da IDF e contra áreas nas Colinas de Golã, território sírio ocupado por Israel desde 1967.

A atual escalada militar faz parte de um conflito mais amplo que se intensificou após o ínicio da guerra envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã no final de fevereiro. Desde então, confrontos entre Israel e o Hezbollah aumentaram drasticamente na fronteira norte israelense e em território libanês.

Segundo dados do Ministério da Saúde do Líbano, ao menos 850 pessoas morreram e mais de 2.100 ficaram feridas no país desde o início da atual fase do conflito.

Os bombardeios também provocaram uma grave crise humanitária. Estimativas indicam que mais de 800 mil pessoas foram deslocadas dentro do Líbano desde o início da ofensiva, o que representa cerca de 15% da população do país.

Muitas famílias que fugiram das regiões mais atingidas se deslocaram para cidades como Sidon e Beirute. Entretanto, abrigos improvisados e centros coletivos já estão superlotados, obrigando parte da população deslocada a viver em carros, prédios inacabados ou estruturas improvisadas.

Organizações internacionais alertam que a situação humanitária pode se agravar rapidamente caso os combates se intensifiquem. A ONU afirmou recentemente que civis são as principais vítimas da escalada militar e pediu esforços urgentes para evitar uma deterioração ainda maior do conflito.

Os bombardeios também atingiram áreas densamente povoadas da capital libanesa nos últimos dias. Em um ataque ocorrido em 12 de março na região costeira de Ramlet al-Baida, em Beirute, ao menos oito pessoas morreram e mais de 30 ficaram feridas após um ataque aéreo atingir uma área onde famílias deslocadas estavam abrigadas.

O conflito atual ocorre poucos meses após uma trégua parcial ter reduzido os combates entre Israel e o Hezbollah em 2024. Mesmo após o cessar-fogo, no entanto, ataques esporádicos e bombardeios continuaram ocorrendo ao longo da fronteira.

Lucas Allabi: Jornalista formado pela PUC-SP e apaixonado pelo Sul Global. Escreve principalmente sobre política e economia. Instagram: @lu.allab
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