O ministro da Defesa de Israel, Israel Katz, afirmou nesta terça-feira (17) que o país matou o principal chefe de segurança do Irã, Ali Larijani, em um ataque direcionado. A declaração, no entanto, foi imediatamente contestada por Teerã, que classificou a informação como “boatos” e parte de uma estratégia de propaganda.
A alegação israelense foi feita em um vídeo oficial, no qual Katz disse ter recebido a confirmação da operação a partir do comando militar. Segundo ele, a ofensiva atingiu diretamente a cúpula de segurança iraniana, em mais um movimento da campanha que Israel afirma conduzir para desarticular a estrutura de comando do país adversário.
Do lado iraniano, a resposta veio em tom de desafio. Em mensagem atribuída a Larijani e divulgada pela TV estatal, o dirigente afirmou: “inimigos dizem que me atacaram com atentados terroristas, mas essa propaganda não nos enfraquecerá, porque não lhes resta nada além de boatos”. No mesmo texto, acrescentou: “Nós os atacamos, e agora eles estão pagando o preço com o sangue de Gaza”.
A divergência expõe não apenas a disputa de narrativas, mas também a guerra informacional que acompanha os combates no terreno. Até o momento, não houve confirmação independente sobre a morte de Larijani — figura considerada uma das mais influentes do regime iraniano e peça-chave no Conselho Supremo de Segurança Nacional.
Informações divulgadas pela imprensa israelense indicam que o ataque teria sido planejado com antecedência e adiado pouco antes da execução. A operação teria sido reativada após serviços de inteligência identificarem a presença de Larijani em um imóvel utilizado como esconderijo. Ainda assim, autoridades iranianas não reconheceram qualquer baixa nesse nível da hierarquia.
Enquanto isso, Israel ampliou suas declarações sobre o impacto das ofensivas. As Forças de Defesa do país afirmaram ter eliminado também Gholamreza Soleimani, comandante da força paramilitar Basij, descrito como “instrumento fundamental” na repressão interna iraniana. Em comunicado, o Exército declarou que a operação representa “mais um duro golpe para as estruturas de comando e controle de segurança do regime”.
A escalada retórica foi acompanhada por declarações ainda mais contundentes de Washington. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que o regime iraniano foi “destruído” e que o país não teria mais capacidade militar relevante. “Eles não têm mais mísseis para usar, nem tiros para dar”, disse, acrescentando que a operação segue com “força máxima”.
Trump também levantou dúvidas sobre a liderança iraniana após relatos envolvendo Mojtaba Khamenei, que ainda não teria feito aparições públicas recentes. “Não sei quem está governando o país neste momento”, afirmou, ao comentar possíveis negociações. Apesar disso, veículos internacionais apontam que canais indiretos de comunicação entre os dois países continuam ativos.
Do lado iraniano, o discurso é de denúncia e ameaça. O Ministério das Relações Exteriores acusou Estados Unidos e Israel de promoverem um “massacre”, alegando que centenas de civis foram mortos, incluindo mais de duzentas crianças. O governo também advertiu que poderá retaliar atingindo interesses americanos no Oriente Médio, sem detalhar alvos.
A intensificação do conflito já apresenta efeitos regionais visíveis. No Iraque, explosões foram registradas nas proximidades da embaixada americana em Bagdá, enquanto um drone atingiu um hotel que abriga jornalistas e diplomatas. No Líbano, o número de mortos se aproxima de 900, com mais de um milhão de deslocados desde o colapso do cessar-fogo entre Israel e o Hezbollah.
Paralelamente, a crise energética global se agrava. O fechamento do Estreito de Ormuz — rota estratégica para o transporte de petróleo — levou o barril do Brent novamente acima dos 100 dólares. A pressão internacional para reabrir a passagem cresce, mas aliados dos EUA resistem a uma escalada militar, ampliando o isolamento de Washington na condução da crise.