Ativistas americanos enfrentam apreensão de celulares ao voltar de Cuba

Bandeiras de Cuba e dos Estados Unidos lado a lado / Reprodução

A apreensão de celulares de ativistas americanos no retorno de uma missão humanitária em Cuba revela a tensão entre os países e a persistência do bloqueio econômico.

Um grupo de ativistas americanos teve seus celulares apreendidos ao retornar de uma missão humanitária em Cuba, no Aeroporto Internacional de Miami. Dos 20 ativistas detidos, 18 tiveram seus dispositivos confiscados sem informações sobre a devolução.

A caravana Nuestra América, que incluía esses ativistas, enviou 650 delegados de 33 países a Cuba com 20 toneladas de ajuda humanitária. Essa ação visava mitigar os efeitos do bloqueio econômico dos EUA, que piora a crise de combustível e apagões na ilha.

Entre os ativistas estava Chris Smalls, famoso por liderar uma greve na Amazon em 2020, que também teve seus dispositivos apreendidos. O grupo, liderado pela CODEPINK, transportou suprimentos médicos avaliados em 433 mil dólares para Cuba.

A situação crítica em Cuba é agravada pelo bloqueio dos EUA, que impede a chegada de petróleo venezuelano. A falta de combustível resulta em apagões que afetam a saúde pública e a vida diária dos cubanos, segundo o New York Times.

Olivia DiNucci, organizadora da CODEPINK, relatou que os ativistas foram submetidos a uma inspeção secundária. Eles foram questionados sobre suas atividades em Cuba e conexões familiares em países como Venezuela e México.

A apreensão dos celulares foi uma medida drástica. Os agentes ofereceram a opção de desbloquear os aparelhos ou tê-los confiscados. A maioria dos ativistas escolheu não desbloquear, resultando na apreensão dos dispositivos.

A presidente da National Lawyers Guild, Suzanne Adely, afirmou que essas apreensões são comuns contra ativistas. A organização está pressionando o governo pela devolução dos dispositivos, considerando a ação uma busca e apreensão ilegal.

Um membro cubano-americano da caravana usou um celular descartável para evitar apreensão. Ela destacou a ironia de crescer ouvindo que Cuba era um estado de vigilância, enquanto agora vê os EUA adotando práticas semelhantes.

O bloqueio dos EUA a Cuba visa isolar o governo cubano, mas afeta gravemente a população. A caravana Nuestra América simboliza a resistência e solidariedade internacional diante das políticas agressivas dos EUA.

O episódio no aeroporto de Miami ilustra a tensão contínua entre os dois países. A apreensão dos celulares não apenas viola direitos básicos, mas também envia uma mensagem clara sobre a postura dos EUA em relação a Cuba.

A solidariedade internacional é crucial para enfrentar o bloqueio e apoiar o povo cubano em sua luta por dignidade e autonomia. A ação dos ativistas demonstra que, apesar das tentativas de intimidação, a resistência e o apoio a Cuba continuarão.

Curadoria: Augusto Gomes | Redação: Afonso Santos

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