A avaliação do governo Lula por área revela um cenário que mistura sustentação política com sinais claros de desgaste — especialmente em temas que impactam diretamente o cotidiano da população.
Os dados da Ipsos/Ipec mostram que há pontos de apoio, mas também áreas críticas que não podem mais ser tratadas com cautela excessiva.
Na educação, por exemplo, o governo aparece com 36% de avaliação positiva, contra 38% negativa. No combate à fome e à pobreza, um dos pilares históricos do lulismo, o cenário também preocupa: 35% avaliam como ótimo ou bom, enquanto 41% consideram ruim ou péssimo.
Ou seja, até mesmo onde o governo tradicionalmente é mais forte, já existe desgaste.
Mas o ponto mais sensível está na economia do dia a dia.
No combate à inflação, 50% dos entrevistados avaliam negativamente a atuação do governo, contra apenas 23% de avaliação positiva. É um dado direto: o custo de vida segue sendo o principal fator de pressão sobre a imagem do governo.
E não para por aí.
No combate ao desemprego, a avaliação negativa chega a 43%, enquanto apenas 31% consideram a atuação positiva. Na saúde, o índice negativo atinge 46%, e na segurança pública, chega a 49%.
O dado mais alto aparece no controle e corte de gastos públicos, com 51% de avaliação ruim ou péssima, indicando uma percepção de que a política econômica ainda não dialoga com as expectativas da população.
O retrato geral é claro.
O governo mantém uma base relevante de apoio — dificilmente um governo com esses números pode ser considerado fragilizado estruturalmente. Mas também enfrenta um desafio concreto: a percepção de que ainda não conseguiu melhorar de forma decisiva a vida das pessoas.
E, em política, percepção é realidade.
A inflação pesa, a renda aperta e o cotidiano cobra respostas mais rápidas. O eleitor não avalia apenas indicadores macroeconômicos — ele sente o preço do alimento, do transporte, do gás.
É nesse ponto que o governo precisa ajustar o rumo.
Há capital político, há base social e há legitimidade. Mas isso, por si só, não sustenta o próximo ciclo. O momento exige medidas mais visíveis, mais diretas e mais populares — aquelas que chegam rápido na vida das pessoas.
Porque, no fim, o desafio não é apenas governar bem.
É fazer com que a população sinta isso no bolso — e no dia a dia.