Reza Pahlavi, filho do último xá do Irã, alinha-se à extrema direita americana, pedindo apoio para uma mudança de regime em seu país, em meio a um conflito devastador.
Reza Pahlavi, filho do último xá do Irã, fez um apelo durante a Conferência de Ação Política Conservadora (CPAC) no Texas, pedindo ao governo de Donald Trump que mantenha a pressão militar sobre o Irã. Em um discurso que ecoou o slogan de Trump, Pahlavi prometeu "tornar o Irã grande novamente", ao mesmo tempo em que pediu uma mudança de regime em seu país de origem.
A fala de Pahlavi ocorre em um momento crítico, com o conflito entre os EUA, Israel e o Irã entrando em seu segundo mês. Segundo informações da Al Jazeera, mais de 1.937 iranianos já perderam suas vidas, e dezenas de milhares estão feridos. Apesar disso, Pahlavi, que se autodenomina príncipe, recebeu uma recepção calorosa dos conservadores americanos, que ovacionaram suas propostas.
O apelo de Pahlavi para que Trump não negocie com o Irã reflete uma aliança com os setores mais belicistas da administração estadunidense. Ele questionou: "Você pode imaginar o Irã passando de 'Morte à América' para 'Deus abençoe a América'?" Essa retórica, destinada a agradar o público de direita, ignora o impacto devastador da guerra sobre a população iraniana.
Reza Pahlavi tem emergido como uma figura central entre os exilados iranianos, especialmente aqueles que ainda carregam a bandeira pré-revolucionária do Irã. No entanto, sua popularidade dentro do próprio Irã é questionável. O próprio Trump já expressou ceticismo sobre a capacidade de Pahlavi de liderar uma nova era no país, sugerindo que um líder emergente dentro do Irã poderia ser mais apropriado.
A divisão dentro da direita estadunidense sobre a guerra contra o Irã também ficou evidente na CPAC. Embora uma pesquisa do Pew Research Center mostre que 71% dos eleitores republicanos apoiam a decisão de atacar o Irã, 59% dos eleitores em geral se opõem aos ataques iniciais. Figuras influentes como Tucker Carlson e Steve Bannon criticaram abertamente a guerra, refletindo uma frustração com a política externa de Trump, que prometeu evitar aventuras militares no exterior.
Benjamin Williams, um jovem ativista da organização Young Americans for Liberty, expressou essa insatisfação ao afirmar que a guerra contradiz as promessas de "América em Primeiro Lugar" de Trump. Para ele, a atual política representa uma traição aos princípios que a base jovem do partido republicano esperava ver cumpridos.
A presença de Pahlavi na CPAC e seu apoio à guerra estadunidense-israelense contra o Irã não apenas reacendem tensões históricas, mas também levantam questões sobre o papel do imperialismo na região e as consequências para a soberania iraniana. Enquanto alguns exilados iranianos apoiam Pahlavi, outros criticam a guerra e alertam para o sofrimento humano que ela provoca.
Para o Brasil e outros países do Sul Global, o cenário no Irã é um lembrete da importância de defender a soberania nacional e resistir a intervenções externas. O conflito atual ressalta a necessidade de uma ordem mundial multipolar, onde nações possam resolver suas diferenças por meio do diálogo e do respeito mútuo, em vez de recorrer à força militar.
A situação no Irã, portanto, não é apenas um problema regional, mas uma questão que afeta a geopolítica global, destacando a urgência de se repensar as políticas imperialistas e suas consequências devastadoras para os povos do Sul Global.
Curadoria: Augusto Gomes | Redação: Afonso Santos