A entrada dos Houthis no conflito contra Israel marca uma nova fase na resistência do Sul Global, desafiando a hegemonia imperialista e alterando o cenário geopolítico.
A guerra contra o Irã, iniciada por Estados Unidos e Israel há um mês, atingiu um novo patamar com a entrada dos Houthis do Iêmen no conflito. O grupo, que controla grande parte do norte do Iêmen, lançou ataques com mísseis e drones contra Israel, prometendo intensificar sua participação em apoio às frentes de resistência na Palestina, Líbano, Iraque e Irã.
Os ataques dos Houthis, realizados em menos de 24 horas, foram interceptados pelo exército israelense. No entanto, a determinação do grupo em retaliar as agressões destaca a crescente tensão no Oriente Médio. Essa ação ocorre em um contexto onde o Irã já havia bloqueado parcialmente o tráfego no estratégico Estreito de Ormuz, aumentando temores de interrupções nas rotas comerciais do Mar Vermelho.
O correspondente da Al Jazeera em Sanaa, Yousef Mawry, descreveu o Estreito de Bab al-Mandeb como a "carta na manga" dos Houthis. O objetivo é impactar economicamente Israel, interrompendo suas rotas comerciais e importações, em um claro desafio à hegemonia regional.
Enquanto isso, a ofensiva militar dos Estados Unidos e Israel sobre o Irã continua, sem sinais de resolução diplomática. O Secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, afirmou que as operações militares devem ser concluídas em breve, mas a chegada de novos fuzileiros navais à região sugere uma estratégia de pressão contínua.
O impacto devastador sobre civis é cada vez mais evidente. Desde o início do conflito, quase 2 mil pessoas morreram no Irã, incluindo 230 crianças, conforme relatado pela Al Jazeera. As infraestruturas civis têm sido alvo frequente dos bombardeios, com milhares de propriedades destruídas.
No Líbano, a situação é igualmente trágica. As forças israelenses avançam, causando destruição e mortes, especialmente no sul do país. O Ministério da Saúde libanês reportou mais de mil mortes desde o início de março, com ataques aéreos matando jornalistas e trabalhadores da saúde.
Apesar da pressão militar, a resistência no Líbano, liderada pelo Hezbollah, continua a realizar operações contra Israel. O grupo mantém suas ações mesmo diante das tentativas de Israel de estabelecer uma zona de segurança ao longo das linhas do modelo de Gaza.
A administração Trump enfrenta crescente oposição interna devido à guerra impopular, que pesa sobre o Partido Republicano às vésperas das eleições de meio de mandato. O presidente ameaça atacar infraestruturas energéticas iranianas, mas estendeu o prazo para negociações, buscando uma solução diplomática.
O Paquistão surge como mediador potencial, organizando encontros entre ministros das Relações Exteriores de potências regionais como Arábia Saudita, Turquia e Egito. O ministro paquistanês das Relações Exteriores, Ishaq Dar, tem se empenhado em promover a paz regional, garantindo a passagem de navios paquistaneses pelo Estreito de Ormuz, um passo significativo para aliviar a crise energética.
O desenrolar deste conflito ressalta a importância de uma abordagem multipolar nas relações internacionais, onde o Sul Global busca afirmar sua soberania frente às intervenções externas. A resistência dos Houthis e de outros grupos na região é um lembrete da complexidade e da determinação das nações em proteger suas autonomias e seus interesses econômicos e sociais.
Curadoria: Augusto Gomes | Redação: Afonso Santos