A ofensiva iraniana no Golfo expõe a vulnerabilidade dos EUA e a resistência do Sul Global.
O Irã intensificou suas ações militares contra os Estados Unidos, atingindo aeronaves em uma base aérea na Arábia Saudita. Esses ataques fazem parte de uma resposta estratégica de Teerã à guerra declarada por EUA e Israel em 28 de fevereiro, marcando um novo capítulo na já tensa relação entre esses países.
De acordo com o Wall Street Journal, a base aérea de Prince Sultan foi alvo de mísseis e drones iranianos na última sexta-feira. O ataque resultou em ferimentos em pelo menos 15 soldados americanos, com cinco em estado grave, segundo a Associated Press. Imagens de satélite divulgadas pela Press TV iraniana confirmam a destruição dos aviões.
A ofensiva iraniana não se limita à Arábia Saudita. Bases americanas em países como Emirados Árabes Unidos, Bahrein, Jordânia e Kuwait também foram alvos de ataques. O ataque à base de Al Udeid, no Qatar, destaca a amplitude da resposta iraniana.
Ebrahim Zolfaghari, porta-voz do quartel-general militar iraniano, afirmou que o ataque destruiu uma aeronave de reabastecimento e inutilizou outras três. Os AWACS são essenciais para a gestão do espaço de batalha, proporcionando vigilância e comando em operações conjuntas.
Especialistas militares ressaltam a importância dos E-3 Sentry na manutenção da consciência situacional no Golfo. A perda dessas aeronaves cria lacunas na campanha aérea americana contra o Irã. Kelly Grieco, do Stimson Center, alertou que essa perda representa um golpe considerável para as operações americanas.
O ataque reflete a estratégia do Irã de adotar táticas de guerra assimétrica. Além disso, Teerã bloqueou efetivamente o Estreito de Hormuz, elevando os preços do petróleo em cerca de 40% desde o início do conflito. John Phillips, consultor de segurança, observou que a perda dos AWACS força os EUA a dependerem mais de radares terrestres.
Embora o impacto inicial seja moderado, a contínua exposição a ataques iranianos pode levar os EUA a reconsiderar suas estratégias. A situação no Golfo Pérsico sublinha a resistência do Sul Global frente ao imperialismo ocidental. Para o Brasil e outros países do Sul, esses eventos ressaltam a importância de uma política externa independente.
Curadoria: Augusto Gomes | Redação: Afonso Santos