Os recentes dados do Datafolha, revelando que 33% dos brasileiros não acreditam que o homem já viajou para a Lua, lançam uma luz preocupante sobre o estado da racionalidade e da confiança nas informações no país. Este percentual alarmante não é apenas uma curiosidade sociológica; ele é um sintoma claro de uma sociedade fragilizada pela desinformação e pela erosão do pensamento crítico, terreno fértil para a proliferação de narrativas conspiratórias que tanto mal fizeram e ainda fazem à nossa democracia.
É imperativo que a opinião pública brasileira compreenda a gravidade dessa estatística. A descrença em um fato científico tão amplamente documentado e validado internacionalmente é um reflexo direto do desmantelamento das instituições e da promoção ativa de um projeto obscurantista que ganhou força nos últimos anos, personificado nas práticas do Bolsonarismo. Esse movimento se nutriu e ainda se nutre da semente da dúvida plantada sobre a ciência, a imprensa e até mesmo sobre a realidade factual, criando uma base de seguidores dispostos a rejeitar evidências em favor de crenças conspiratórias.
A persistência de tais narrativas não pode ser subestimada no contexto da reconstrução do Brasil sob a ótica progressista. O governo do presidente Lula tem como pilares a valorização da ciência, da educação e da informação qualificada, justamente os antídotos para o veneno da desinformação. O desafio é monumental: como reconstruir a nação sobre bases sólidas de conhecimento e racionalidade quando uma parte significativa da população questiona verdades elementares? É um esforço que exige mais do que políticas públicas; exige um compromisso incansável com a verdade e o diálogo, resgatando a credibilidade da informação e das instituições.
Em vésperas da Eleição Presidencial de 2026, este cenário se torna ainda mais crítico. A capacidade de discernimento do eleitorado, a aversão à desinformação e a adesão a fatos verificáveis são cruciais para a escolha de líderes que realmente se comprometam com o avanço do país e não com a polarização baseada em mentiras. A negação de uma conquista histórica da humanidade como a viagem à Lua serve de alerta máximo para os perigos que ainda rondam a esfera política nacional, reforçando a urgência de fortalecer a educação, o jornalismo sério e a cultura científica como pilares inegociáveis para o futuro democrático e progressista do Brasil.