A nova pesquisa do Instituto Paraná Pesquisas revela um dado que, em qualquer cenário eleitoral, funciona como sinal de alerta imediato: a desaprovação do governo Lula já supera a aprovação em pleno ano pré-eleitoral — um movimento raro e politicamente significativo.
Segundo o levantamento, 52% dos brasileiros desaprovam o governo, enquanto 44,6% aprovam e 3,4% não souberam opinar.
O recorte de avaliação também reforça esse cenário:
- 31,7% avaliam como ótimo ou bom
- 21,6% consideram regular
- 45,2% classificam como ruim ou péssimo
Já na rejeição eleitoral, o presidente aparece com 47% de rejeição, contra 44% de Flávio Bolsonaro, indicando um ambiente de disputa acirrada e com limitações para crescimento.
Um cenário que foge do padrão eleitoral
Em ciclos eleitorais, especialmente para quem busca reeleição, o esperado é que a aprovação supere a desaprovação — criando uma base sólida para expansão de votos.
Aqui, o cenário é invertido.
E isso não é apenas um detalhe técnico.
É um indicativo de que o governo enfrenta dificuldades reais para transformar gestão em percepção positiva.
O eleitor mudou — e cobra mais
Os números revelam uma mudança importante no comportamento do eleitor.
Aquilo que historicamente foi marca dos governos petistas — estabilidade econômica, programas sociais e redução da pobreza — já não é mais visto como diferencial.
Virou obrigação.
Na prática, o eleitor passou a encarar essas entregas como um direito adquirido, algo que qualquer governo deve garantir. E, quando isso acontece, o nível de exigência sobe.
O que antes gerava aprovação, hoje não garante mais entusiasmo.
Letargia pesa mais que erros
O desgaste atual não está ligado a um colapso de gestão, mas a uma percepção mais sutil — e perigosa: a de um governo que administra, mas não transforma.
A ausência de medidas mais ousadas, somada à dificuldade de comunicação, cria a sensação de letargia.
E, em política, essa sensação cobra preço.
O eleitor não reage apenas a crises.
Ele também reage à falta de avanço visível.
Impacto direto na disputa com Flávio
Esse ambiente ajuda a explicar por que a eleição está cada vez mais apertada.
Com rejeição alta e aprovação em queda, Lula entra na disputa com menos margem de crescimento, enquanto Flávio Bolsonaro consolida o eleitorado da direita e se mantém competitivo.
O empate técnico em vários cenários não é coincidência — é consequência direta desse desgaste.
Lula ainda forte — mas precisa mudar o jogo
Mesmo com os números, Lula segue como um candidato altamente competitivo. Tem base social consolidada, reconhecimento nacional e capacidade de mobilização.
Mas isso, sozinho, já não resolve a equação.
O cenário exige mais.
O desafio agora é reconstruir futuro
A pesquisa deixa um recado claro:
o eleitor não quer apenas estabilidade — quer perspectiva.
Para reverter o quadro, o governo precisará:
- modernizar o discurso
- apresentar um projeto de país mais estruturante
- apostar em crescimento econômico mais visível
- adotar medidas que impactem diretamente o cotidiano
Mais do que defender o que já foi feito, será necessário mostrar para onde o país vai.
O tempo político começou a correr
A eleição de 2026 não será decidida pela memória do passado.
Será decidida pela capacidade de convencer o eleitor de que o futuro pode ser melhor.
E, hoje, os números mostram que essa disputa está aberta —
e que o governo precisa agir rápido para não deixar a vantagem escapar.