Pesquisadores realizaram uma descoberta significativa nas profundezas do oceano Pacífico, revelando uma nova ramificação da vida que permaneceu desconhecida por milhões de anos. A descoberta de 24 novas espécies de criaturas marinhas, bem como uma super família inteira de espécies na zona Clarion Clipperton (CCZ), está alimentando discussões sobre a conservação do ecossistema marinho. Este debate ocorre em um contexto de crescente interesse por mineração em alto-mar, especialmente após a administração Trump ter acelerado permissões para exploração neste local.
Utilizando tecnologia avançada, como microscópios de varredura a laser, os cientistas identificaram essas espécies que emitem um brilho em tons de verde e laranja, contrastando com a escuridão do fundo oceânico. A CCZ, localizada entre o Havaí e o México, é uma área rica em metais de terras raras, despertando interesse para a mineração. No entanto, a descoberta de um novo ramo evolutivo ressalta os potenciais riscos ambientais associados ao extrativismo submarino.
De acordo com Tammy Horton, pesquisadora do National Oceanography Centre em Southampton e coautora do estudo, a descoberta tem uma magnitude comparável à de encontrar uma nova categoria de mamíferos terrestres. Ela ilustrou a importância de catalogar essas espécies antes que a mineração possa ameaçá-las. Horton explica que nomear as espécies é crucial para sua proteção, pois isso lhes confere reconhecimento e importância científica.
As criaturas descobertas, semelhantes a camarões e conhecidas como anfípodes, vivem a uma profundidade de 13.000 pés. Elas evoluíram em condições de escuridão total, adaptando-se a um ambiente hostil e desconhecido. A descoberta é resultado de uma colaboração científica intensa, envolvendo uma equipe de especialistas que acelerou o processo de identificação taxonômica.
A nomeação das novas espécies, como Byblis hortonae e Byblisoides jazdzewskae, e a nova super família Mirabestia maisie, é um passo importante para garantir sua proteção. Segundo Anna Jażdżewska, professora na Universidade de Łódź e coautora do estudo, nomear espécies é um passo vital para sua conservação, pois lhes dá visibilidade e permite que sejam consideradas em políticas de preservação.
No entanto, com mais de 90% das espécies na CCZ ainda sem nome, o impacto real da mineração em alto-mar sobre a fauna local é incerto. A região, que se estende por 1,7 milhão de milhas quadradas do fundo do Pacífico oriental, contém vastas reservas de nódulos de manganês, ricos em metais essenciais para tecnologias modernas, como baterias.
Recentemente, a Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos EUA (NOAA) revisou a Lei de Recursos Minerais do Fundo do Mar Profundo, permitindo que empresas solicitem permissões de recuperação comercial ao mesmo tempo que licenças de exploração. Esta mudança apoia a agenda “America First”, segundo Neil Jacobs, administrador da NOAA.
A NOAA aceitou a revisão de uma aplicação da empresa The Metals Co. para explorar uma vasta área na mesma zona onde as novas espécies foram descobertas. Testes em larga escala realizados anteriormente demonstraram que a mineração pode ter um impacto ambiental significativo, reduzindo a abundância de espécies e a biodiversidade no leito marinho.
Horton e Jażdżewska pretendem continuar explorando os mistérios do mar profundo como parte de uma iniciativa da Autoridade Internacional dos Fundos Marinhos, com o objetivo de identificar 1.000 novas espécies até o final da década. Apesar do progresso com a descrição de novas espécies e a descoberta de uma nova super família, os pesquisadores reconhecem que ainda há muito a ser feito no campo da identificação.
Compreender o comportamento, a reprodução e a alimentação desses animais permanece um desafio. Horton destaca que, embora tenham descrito 24 novas espécies, isso é apenas uma pequena fração do que ainda precisa ser descoberto. O trabalho contínuo na identificação e catalogação dessas espécies é essencial para garantir sua proteção frente às ameaças da mineração.