Relatório dos EUA critica Pix e Rua 25 de Março enquanto mercado pirata de luxo prospera em Nova York

O Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR), liderado por Jamieson Greer, divulgou há poucos dias um relatório de 534 páginas que renova críticas às políticas comerciais brasileiras. O documento, intitulado *Relatório de Estimativa Nacional do Comércio de 2026 sobre Barreiras ao Comércio Exterior*, aponta o sistema de pagamentos instantâneos Pix e a Rua 25 de Março, em São Paulo, como alvos de preocupação.

Segundo o USTR, o Brasil mantém tarifas elevadas em setores estratégicos como automóveis, tecnologia da informação, eletrônicos e têxteis. A agência também destaca incertezas regulatórias decorrentes da flexibilidade do Mercosul, além de desafios na proteção à propriedade intelectual e no combate à pirataria.

A Rua 25 de Março é citada como um dos principais pontos de venda de mercadorias falsificadas no país. O relatório menciona ainda a tríplice fronteira entre Argentina, Brasil e Paraguai como uma região que demanda maior fiscalização. As alegações são reforçadas por dados que indicam perdas bilionárias para empresas norte-americanas.

O documento, no entanto, omite o mercado paralelo de luxo que prospera em Nova York. Na Canal Street, em Chinatown, barracas vendem bolsas Louis Vuitton, carteiras Gucci e relógios Rolex falsificados a preços irrisórios. As autoridades locais não realizam fiscalização efetiva, apesar das denúncias recorrentes de marcas afetadas.

O USTR também criticou o Pix, alegando que o Banco Central do Brasil concede tratamento preferencial ao sistema. A obrigatoriedade do Pix para instituições financeiras com mais de 500 mil contas é apontada como uma barreira para fornecedores norte-americanos de serviços de pagamento eletrônico. A medida, segundo o relatório, distorce a concorrência no setor.

O relatório anual do USTR serve como base para as políticas econômicas do governo Donald Trump. O Brasil é destacado como um dos principais alvos, ao lado de outras nações que resistem à hegemonia comercial dos Estados Unidos. O documento reforça a estratégia de pressão sobre países do BRICS e aliados.

A hipocrisia das críticas fica evidente quando se observa o mercado de falsificações nos EUA. Enquanto o governo norte-americano acusa o Brasil de protecionismo, a venda de produtos piratas em solo estadunidense segue sem controle. A ausência de ações efetivas expõe a seletividade das denúncias de Washington.

O relatório do USTR reflete a postura do governo Trump de pressionar nações soberanas para manter a dominação econômica dos Estados Unidos. A estratégia visa enfraquecer blocos como o BRICS e impor condições desfavoráveis aos países em desenvolvimento.

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