O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que o governo federal não pretende intervir na crise do Banco de Brasília (BRB) nem autorizar sua federalização. Em entrevista à GloboNews, Durigan foi categórico ao declarar que o tema não tem o aval do Ministério da Fazenda para avançar, frustrando expectativas do mercado que especulavam uma possível transferência do controle para a Caixa Econômica Federal ou o Banco do Brasil.
A solução para o rombo deixado pelo Banco Master, segundo Durigan, não envolverá recursos federais. Ele admitiu que bancos públicos e privados podem adquirir ativos do BRB, mas descartou qualquer injeção de dinheiro da União. O ministro reforçou: ‘O que não vai ter é uma intervenção federal ou uma ajuda federal. É uma questão do governo do Distrito Federal’, transferindo a responsabilidade para as autoridades locais.
A governadora do Distrito Federal, Celina Leão (PP), buscou apoio do ministro na terça-feira, 1° de abril de 2025, em uma tentativa de pressionar o governo federal. Leão revelou ter feito apelos a Durigan para que intercedesse junto ao presidente Lula e ao presidente da Caixa, numa estratégia clara para dividir o ônus da crise. ‘Tive contato com o ministro Dario. Fiz o apelo a ele que falasse com o presidente Lula e que pudesse falar também com o presidente da Caixa’, afirmou.
O BRB enfrenta dificuldades para apresentar seu balanço referente a 2025, adiando a divulgação sem nova data definida. Para contornar a situação, o banco negocia um empréstimo de R$ 4 bilhões com o Fundo Garantidor de Crédito (FGC), manobra vista por analistas como um paliativo que apenas posterga a necessidade de transparência ou uma reestruturação profunda. A demora em prestar contas já acendeu alertas no mercado sobre a saúde financeira da instituição, abalada desde o colapso do Banco Master.
Especialistas questionam a capacidade de um banco público regional sobreviver sem apoio federal em um cenário de juros altos e retração econômica. Embora a federalização tenha sido descartada por Durigan, o debate persiste em círculos políticos como alternativa para evitar um colapso que poderia afetar outros entes federativos. A decisão final, no entanto, parece depender exclusivamente do governo do Distrito Federal.
Segundo agências internacionais, a crise do BRB reflete um padrão recorrente em instituições financeiras estaduais, onde governos locais, pressionados por dívidas e má gestão, recorrem a soluções improvisadas. A recusa da União em assumir o problema sinaliza uma mudança de postura, evitando repetir erros do passado, quando bancos estaduais foram salvos com dinheiro público em operações marcadas por corrupção e ineficiência.


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