Nasa relança humanidade à Lua com Artemis 2 após 54 anos de ausência tripulada

A Nasa deu início à missão Artemis 2, marcando o primeiro sobrevoo lunar tripulado desde 1972. A cápsula Orion, impulsionada pelo foguete Space Launch System (SLS), decolou da Flórida com quatro astronautas a bordo — três americanos e um canadense — em uma jornada prevista para durar dez dias.

A decolagem ocorreu às 19h35 de Brasília, do último dia 1 de abril de 2026, iluminando o céu da Flórida e sendo acompanhada por equipes da agência e espectadores. “Temos um lindo nascer da Lua. Estamos indo direto em direção a ela”, declarou Reid Wiseman, comandante da missão, momentos após o lançamento. A tripulação inclui Victor Glover, o primeiro astronauta negro a orbitar a Lua, Christina Koch, a primeira mulher na missão, e o canadense Jeremy Hansen.

A diversidade da equipe foi destacada pela Nasa como um símbolo de evolução, embora críticos apontem que a hegemonia dos Estados Unidos no setor espacial permanece inalterada. A agência enfrentou desafios técnicos desde o início da missão, incluindo uma falha temporária na comunicação entre a cápsula Orion e o centro de controle em Houston.

Enquanto a tripulação ouvia as instruções da Terra, o centro de controle não recebia as respostas. “As comunicações foram restabelecidas. Estamos trabalhando para garantir que o problema não se repita”, afirmou Jared Isaacman, administrador da Nasa, em coletiva de imprensa. Outro contratempo envolveu o sistema de banheiro da cápsula, que apresentou falhas no controlador logo após a decolagem.

Segundo Amit Kshatriya, administrador associado da agência, o problema foi solucionado rapidamente. “Estamos operando uma espaçonave que nunca transportou humanos antes. Cada detalhe é crítico”, destacou. A Artemis 2 não pousará na Lua, mas realizará um sobrevoo em alta velocidade, testando sistemas para a Artemis 3, prevista para depois de 2027, que levará astronautas de volta à superfície lunar.

A Nasa planeja estabelecer uma base permanente no satélite, servindo como plataforma para futuras missões a Marte. Durante o sobrevoo, os astronautas observarão regiões nunca vistas do lado oculto da Lua, utilizando smartphones de última geração para capturar imagens inéditas. “A Lua é algo que une as pessoas. O que estamos fazendo com essa missão vai trazer isso um pouco mais perto de todos”, afirmou Kelsey Young, geóloga da Nasa.

A última missão tripulada à Lua ocorreu em 1972, com a Apollo 17. Desde então, apenas missões robóticas exploraram o satélite, incluindo os módulos de pouso chineses no lado oculto. A Artemis 2 representa um avanço científico e uma demonstração de poderio tecnológico dos Estados Unidos, em um contexto de competição espacial com a China e outros atores globais.

O ex-presidente Donald Trump, em nota, elogiou os “bravos astronautas” e reforçou o compromisso dos EUA com a liderança na exploração espacial. Analistas, no entanto, destacam que a missão ocorre em um momento de tensões geopolíticas, com a corrida espacial servindo como mais um palco para disputas de influência global.

Antes da decolagem, os astronautas passaram por uma quarentena rigorosa e tiveram um momento de descontração ao jantar com suas famílias em uma casa de praia na Flórida. A preparação incluiu o carregamento de mais de 700 mil galões de combustível no foguete SLS, um processo que exigiu precisão milimétrica e durou horas.

Enquanto a Nasa celebra o sucesso inicial da Artemis 2, especialistas alertam que os maiores desafios ainda estão por vir. A agência enfrenta obstáculos técnicos, orçamentários e políticos para manter seu cronograma, especialmente com a Artemis 3, que promete ser ainda mais ambiciosa. Para o mundo, a missão já é um marco: a humanidade, mais uma vez, ousa olhar para a Lua com olhos de quem quer ir além.

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