A Petrobras anunciou em 1º de abril de 2026 que parcelará o reajuste de 54,8% no preço do querosene de aviação (QAV), combustível que responde por quase um terço dos custos das companhias aéreas brasileiras.
A estatal, que controla 85% da produção nacional de QAV, permitirá que distribuidoras paguem apenas 18% do aumento imediatamente e financiem o restante em até seis parcelas, com a primeira vencendo em julho.
A medida visa mitigar o impacto do reajuste no setor aéreo, conforme comunicado oficial da empresa.
A Petrobras justificou a decisão afirmando que o mecanismo preserva a demanda pelo produto e mantém a neutralidade financeira da companhia.
O parcelamento poderá ser estendido para maio e junho, com novos parâmetros a serem definidos.
A estatal reforçou seu compromisso com uma política de preços equilibrada, sem repassar volatilidades de curto prazo ao mercado nacional.
O aumento médio de 55% em abril contrasta com os reajustes anteriores: 9% em março e queda de 1% em fevereiro.
A escalada dos preços é atribuída à guerra no Oriente Médio, que reduziu a oferta global de petróleo.
O barril do tipo Brent, referência internacional, foi negociado a US$ 101 (R$ 520) em 1º de abril, ante US$ 70 antes do conflito.
Na refinaria Abreu e Lima, em Ipojuca (Pernambuco), o litro do QAV saltou de R$ 3,49 para R$ 5,40.
Os novos preços variam entre 53,4% e 56,3% conforme a região, conforme tabela publicada no site da Petrobras.
A estatal comercializa o combustível produzido em suas refinarias ou importado, enquanto distribuidoras são responsáveis pelo transporte até aeroportos e revendedores.
Agências internacionais destacam que a decisão reflete pressões geopolíticas e a necessidade de equilibrar interesses econômicos e sociais.
O QAV, derivado do petróleo, impacta diretamente o custo das passagens aéreas e a competitividade do setor aéreo brasileiro.
A Anac reforçou que o combustível representa 30% dos custos operacionais das companhias aéreas.
O parcelamento surge como alternativa para evitar uma crise mais profunda no setor, já pressionado por altos custos operacionais.
Especialistas avaliam que a medida pode conter impactos inflacionários, especialmente em ano eleitoral e de alta demanda por viagens.
A Petrobras garantiu que não repassará a volatilidade de curto prazo aos preços domésticos, mantendo sua política alinhada ao mercado internacional.
A decisão integra a estratégia da estatal para lidar com a instabilidade global dos preços de energia, enquanto o mundo acompanha os desdobramentos da guerra no Oriente Médio.