A Rússia praticamente abandonou o dólar no comércio com China e vizinhos. Mais de 90% das transações já ocorrem em moedas nacionais.
O dado foi divulgado pelo vice-primeiro-ministro Alexey Overchuk. Segundo ele, a transição foi concluída ao longo dos últimos quatro anos.
Os números mostram a escala da mudança. Em 2025, 91% dos pagamentos com países da Comunidade dos Estados Independentes foram feitos em moedas locais.
Na União Econômica Eurasiática, o índice chegou a 93%. Com a China, principal parceiro comercial, atingiu 95% das transações.
Isso significa que o dólar deixou de ser relevante na maior parte do comércio regional russo. Trata-se de uma mudança estrutural, não pontual.
O movimento é resposta direta às sanções econômicas impostas pelo Ocidente. Parte significativa das reservas russas foi congelada, o que acelerou a busca por alternativas financeiras.
Ao mesmo tempo, Moscou investiu na criação de sistemas próprios de pagamento e liquidação. O objetivo é operar fora da infraestrutura dominada por EUA e Europa.
A parceria com a China é o eixo central dessa transição. O comércio bilateral já vinha migrando para rublo e yuan nos últimos anos.
Dados internacionais indicam que mais de 90% das trocas entre os dois países já eram feitas nessas moedas desde 2023.
Esse avanço consolida um bloco financeiro alternativo no espaço eurasiático. Rússia, China e aliados passam a operar com menor exposição ao dólar.
O impacto vai além da região. A desdolarização reduz o alcance de sanções e limita o poder financeiro dos Estados Unidos.
No plano global, isso pressiona o sistema monetário internacional. O dólar segue dominante, mas enfrenta perda gradual de espaço em fluxos específicos.
Para o Brasil, o efeito é direto. O país depende da Rússia para fertilizantes e mantém forte comércio com a China.
Se essas transações migram para moedas locais, o custo cambial pode cair. Empresas brasileiras passam a operar com menos exposição ao dólar.
Ao mesmo tempo, cresce a influência do yuan nas cadeias produtivas. Isso altera o equilíbrio financeiro e aumenta a integração com o eixo China-Rússia.
O movimento também dialoga com iniciativas como o uso de moedas locais no BRICS. A tendência é de expansão gradual desse modelo.
A Rússia mostra que a desdolarização deixou de ser discurso. Virou prática em larga escala, com números que já redesenham o comércio internacional.

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