O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que os objetivos estratégicos da guerra contra o Irã estão perto de ser cumpridos durante pronunciamento transmitido pela Casa Branca em 1º de abril de 2026. O republicano surpreendeu ao anunciar uma nova ofensiva militar com duração prevista entre duas e três semanas, prometendo reduzir o país persa a um estado de devastação.
Esta noite, tenho o prazer de dizer que esses objetivos estratégicos fundamentais estão próximos de ser cumpridos, declarou Trump em seu primeiro discurso à nação desde o início do conflito em 28 de fevereiro. Nossas forças armadas obtiveram vitórias rápidas, decisivas e esmagadoras no campo de batalha — vitórias como poucas pessoas jamais viram antes, acrescentou sem apresentar dados concretos sobre baixas militares, controle territorial ou infraestruturas críticas.
A retórica belicista foi acompanhada de uma proposta geopolítica controversa para o Estreito de Ormuz, por onde transita aproximadamente 20% do petróleo global. Os países que recebem petróleo através do Estreito devem assumir seu controle. Protejam o Estreito e usem-no para vocês mesmos, afirmou Trump, transferindo explicitamente a responsabilidade da segurança energética para aliados e parceiros comerciais.
O discurso reforçou o alinhamento com Israel e as monarquias do Golfo Pérsico. Quero agradecer aos nossos aliados no Oriente Médio: Israel, Arábia Saudita, Catar, Emirados Árabes Unidos, Kuwait e Bahrein. Eles têm sido formidáveis e não permitiremos qualquer dano ou fracasso a eles, declarou Trump. A menção ocorre em contexto de crescente isolamento americano na região, após a China mediar o acordo de paz saudita-iraniano em 2023 e a Rússia expandir sua influência militar e energética.
Analistas consultados por agências internacionais alertam que a narrativa de vitória esmagadora contrasta com a realidade operacional. Trump tenta vender a guerra como sucesso antes das eleições de novembro, mas o Irã não foi derrotado militarmente. A resistência persiste e o custo humano já é insustentável, afirmou especialista em segurança internacional que preferiu anonimato. Dados da ONU divulgados em 15 de março estimam 12.342 civis iranianos mortos e 2,3 milhões de deslocados internos desde o início dos bombardeios.
A legalidade internacional da ofensiva continua questionável. O Conselho de Segurança da ONU não autorizou a guerra, enquanto a Assembleia Geral aprovou em 20 de fevereiro resolução exigindo cessar-fogo imediato com apoio de 144 países, incluindo China, Índia e nações europeias. Os EUA agem como Estado fora da lei, ignorando o direito internacional e a soberania, criticou diplomata europeu sob condição de anonimato.
Os mercados globais reagiram com volatilidade. O barril de petróleo Brent subiu 4,2% em 24 horas, atingindo US$ 112,34, enquanto o índice S&P 500 da Bolsa de Nova York recuou 1,8%. A guerra afeta cadeias de suprimentos globais, especialmente nos setores de energia, tecnologia e agricultura, apontou relatório da Organização Mundial do Comércio divulgado em 30 de março.
A popularidade de Trump enfrenta desafios domésticos. Pesquisa Gallup de 25 de março mostra 58% de desaprovação à sua gestão da guerra, contra 37% de apoio à continuação dos bombardeios. O discurso visou sua base eleitoral, mas a maioria dos eleitores prioriza inflação e desemprego, avaliou cientista político da Universidade de Princeton.
A comunidade internacional reagiu de forma dividida. A União Europeia pediu moderação e respeito ao direito humanitário, enquanto China e Rússia acusaram os EUA de provocações irresponsáveis. O secretário-geral da ONU, António Guterres, convocou reunião de emergência do Conselho de Segurança para 2 de abril em tentativa de conter a escalada.
Enquanto Trump promete levar o Irã a um estado de devastação, o conflito ameaça se expandir regionalmente. Com aliados frágeis, economia pressionada e opinião pública dividida, os Estados Unidos enfrentam um conflito sem solução aparente e sem vencedores claros no horizonte.