O petróleo brent ultrapassou US$ 106 nesta quinta-feira, acumulando alta de 48% no mês após Donald Trump anunciar a extensão dos ataques militares ao Irã por mais duas semanas. Segundo a Reuters, o barril foi negociado a US$ 97,80 pela manhã, mas reagiu ao pronunciamento da Casa Branca com alta de 8,4% em poucas horas.
Trump reforçou a pressão sobre nações dependentes do petróleo que transita pelo Estreito de Ormuz, bloqueado pelas forças iranianas desde 15 de março. O canal, responsável por 20,7 milhões de barris diários — cerca de 20% do consumo global —, tornou-se o epicentro da crise energética. ‘Eles precisam agir. Nós apoiaremos, mas a liderança deve ser deles’, declarou o presidente americano, sem mencionar medidas concretas para desbloquear a rota.
Os Estados Unidos, apesar de autossuficientes em petróleo, não escaparam dos efeitos da escalada. O preço médio da gasolina nos postos americanos atingiu US$ 4,12 por galão, o maior valor desde 2008. Analistas do Goldman Sachs alertaram que a manutenção do conflito pode levar o barril a US$ 120 até junho, caso o Irã mantenha o bloqueio.
Em discurso transmitido ao vivo, Trump afirmou que a guerra está ‘a duas ou três semanas do fim’, mas não apresentou um cronograma para o cessar-fogo. ‘Temos todas as cartas. Eles não têm nenhuma’, disse, em tom desafiador, sem detalhar como pretende encerrar as hostilidades. A falta de clareza alimentou a volatilidade dos mercados durante toda a sessão.
O presidente americano celebrou as ‘vitórias rápidas e esmagadoras’ das forças armadas dos EUA, citando a destruição de 80% da capacidade militar iraniana. Especialistas do Instituto Internacional de Estudos Estratégicos (IISS), porém, contestaram a narrativa. ‘O Irã ainda controla o Estreito de Ormuz e mantém capacidade de retaliação assimétrica’, afirmou o diretor John Chipman, em entrevista à BBC.
A retórica belicista de Trump expõe a fragilidade do equilíbrio geopolítico, com aliados europeus e asiáticos buscando reduzir a dependência do petróleo do Oriente Médio. A Alemanha reativou usinas a carvão, enquanto a China acelerou negociações com a Rússia para ampliar o gasoduto Power of Siberia. ‘A guerra está redefinindo o mapa energético global’, avaliou a economista Fatih Birol, diretora da Agência Internacional de Energia (AIE).
O aumento dos preços do petróleo pressiona economias emergentes, como Índia e Turquia, que já enfrentam inflação acima de 10%. O FMI revisou para baixo as projeções de crescimento global em 2026, citando a crise no Oriente Médio como principal fator de risco. ‘Estamos à beira de uma recessão induzida pela energia’, alertou a diretora-gerente Kristalina Georgieva, em coletiva em Washington.
Enquanto os EUA insistem em soluções militares, a comunidade internacional cobra uma saída diplomática. O secretário-geral da ONU, António Guterres, pediu ‘moderação imediata’ e convocou uma reunião de emergência do Conselho de Segurança para sexta-feira. ‘A guerra não pode ser a resposta para a segurança energética’, afirmou, em nota divulgada pelo gabinete.