Celso Amorim afirmou que o mundo vive risco real de guerra global. O diplomata também declarou que a ordem internacional já foi profundamente abalada.
A avaliação foi feita após a escalada de conflitos envolvendo Estados Unidos, Irã e a guerra na Ucrânia. Para Amorim, o cenário atual reúne fatores inéditos de instabilidade.
Em entrevista ao Brasil 247, ele foi direto: “estamos vivendo um momento perigoso”. Segundo o assessor internacional da Presidência, há duas guerras com potencial de se expandirem simultaneamente.
O ponto central do alerta está na conexão entre conflitos. Amorim afirmou que, se as guerras no Oriente Médio e no Leste Europeu “se comunicarem”, o mundo pode entrar em uma guerra de grande escala.
Ele evita o termo guerra total, mas aponta uma “irradiação negativa” global. Isso inclui impacto direto sobre economia, energia e estabilidade internacional.
A análise ganha peso pela trajetória do diplomata. Com mais de 60 anos de atuação, ele afirmou: “nunca vivi um momento tão perigoso”.
O diagnóstico não se limita ao risco militar. Amorim sustenta que o sistema internacional já entrou em colapso parcial.
Em outra declaração, ele afirmou que “a ordem mundial já foi muito vulnerada”. A frase indica que as regras que organizavam o poder global perderam eficácia.
O diplomata vai além. Ele questiona se ainda é possível restaurar o modelo antigo ou se será necessário construir uma nova estrutura global “sobre os escombros da velha”.
Esse ponto revela uma mudança estrutural. A ordem criada após a Segunda Guerra, baseada em instituições como a ONU, já não consegue conter conflitos entre grandes potências.
A multiplicação de atores é um fator-chave. Diferente da Guerra Fria, quando havia dois polos claros, o cenário atual envolve vários países com interesses distintos e menos controle central.
No Oriente Médio, a dimensão religiosa amplia o risco. Amorim destaca que esse fator torna os conflitos mais difíceis de conter e mais propensos à escalada.
Para o Brasil, o impacto é direto. Conflitos simultâneos pressionam o preço do petróleo, afetam o comércio e aumentam a volatilidade global.
O país também é atingido no plano diplomático. A crise amplia a importância de fóruns como o BRICS, que podem atuar como espaço de mediação e articulação internacional.
Além disso, o alerta reforça uma tendência maior. O mundo caminha para uma transição de poder, com perda de centralidade do eixo tradicional liderado pelos Estados Unidos.
Nesse cenário, países como o Brasil ganham margem para atuar, mas também enfrentam mais riscos em um ambiente menos estável.
A fala de Amorim não é retórica. É um diagnóstico de transição. A ordem global já não é a mesma, e o sistema que a substitui ainda está em disputa.