Cientistas da USP criam saliva artificial com proteína de cana-de-açúcar para proteger dentes

Imagem gerada por IA pelo Flux Pro (fal.ai), a partir de prompt do Cafezinho. 05/04/2026 14:33

Cientistas da Escola de Odontologia de Bauru da Universidade de São Paulo (FOB-USP) desenvolveram uma saliva artificial a partir de uma proteína extraída da cana-de-açúcar, batizada como CANECPI-5. O composto, que pode ser utilizado como enxaguante bucal, forma uma camada protetora sobre o esmalte dental, ajudando a combater os efeitos de ácidos presentes em bebidas como sucos e álcool, além de ácidos estomacais.

A descoberta tem potencial especial para pacientes que perderam a produção natural de saliva devido a tratamentos de câncer na região de cabeça e pescoço.

Os experimentos iniciais revelaram que a eficácia da CANECPI-5 aumenta quando combinada com flúor e xilitol, resultando em uma redução expressiva de danos ao esmalte. O estudo, conduzido durante o doutorado de Natara Dias Gomes da Silva na FOB-USP, foi publicado no Journal of Dentistry no dia 4 de abril de 2026, conforme informações divulgadas pela instituição.

A pesquisa contou com a colaboração de cientistas da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), da Universidade da Califórnia em San Francisco, nos Estados Unidos, e da Universidade Yonsei, na Coreia do Sul.

O trabalho integra o Projeto Temático “Modulação da película adquirida para controlar a perda mineral dental: desvendando mecanismos para tornar terapias possíveis”, coordenado pela professora Marília Afonso Rabelo Buzalaf na FOB-USP. Durante os testes, a equipe aplicou a solução de CANECPI-5 em fragmentos de dentes de animais, uma vez por dia, durante um minuto.

Os resultados mostraram que a proteína não apenas cria uma barreira contra a desmineralização, mas também regula as bactérias orais, oferecendo um avanço promissor no combate a cáries severas, especialmente em casos de xerostomia, conhecida como boca seca.

Marília Buzalaf destacou que o composto alivia a sensação de secura e as feridas na boca, além de atuar contra bactérias nocivas, trazendo benefícios diretos a pacientes em condições críticas. A CANECPI-5, já patenteada, representa uma alternativa acessível para quem enfrenta dificuldades no acesso a tratamentos específicos após radioterapia.

Mais detalhes sobre a pesquisa podem ser encontrados em uma nota divulgada pelo portal oficial da USP, que acompanha os desdobramentos do estudo.

A equipe planeja aprofundar as análises sobre a interação da CANECPI-5 com outros compostos, incluindo um peptídeo derivado da estaterina, uma proteína presente na saliva natural. O objetivo é potencializar ainda mais os efeitos protetores do produto.

Os pesquisadores buscam ainda compreender como a solução pode ser adaptada para uso clínico em larga escala, embora prazos específicos para sua disponibilização no mercado ainda não tenham sido definidos. O foco, segundo os cientistas, está em garantir que a tecnologia atenda às necessidades de pacientes com condições severas de saúde bucal, oferecendo uma ferramenta prática e eficiente para a odontologia.

Com informações de Agência Internacional.

Redação:
Related Post

Privacidade e cookies: Este site utiliza cookies. Ao continuar a usar este site, você concorda com seu uso.