Em análise ao cenário eleitoral, ex-ministro José Dirceu desmonta narrativa oposicionista e defende a retomada de debates estruturais.
Em entrevista para a TV Folha, o ex-ministro José Dirceu rejeitou a ideia de que o governador de Goiás, Ronaldo Caiado, representa uma terceira via no espectro político. Segundo ele, Caiado está posicionado à direita até mesmo de Flávio Bolsonaro, que agora busca uma imagem moderada.
Dirceu afirmou que Flávio Bolsonaro é um indicado e preposto direto do pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro. Para o ex-ministro, a candidatura do filho só existe porque o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, não entrou na disputa.
Na avaliação de Dirceu, a coalizão governista possui vantagem por já ter um presidente, uma base partidária e um vice definidos. Ele reconhece, no entanto, que a desaprovação do governo subiu e que Flávio Bolsonaro encostou nas pesquisas, igualando as possibilidades de vitória e derrota.
O ex-ministro argumentou que o governo vinha em ascensão com pautas de amplo respaldo popular, como a reforma tributária. Ele citou a isenção para rendas de até cinco mil reais e a taxação de grandes fortunas como exemplos.
Para Dirceu, houve uma tentativa de mudar a agenda nacional para escândalos, citando o “caso Massa” e a tentativa de envolver o deputado Fábio Luiz, chamado de “Lulinha”. Ele traçou um paralelo histórico, lembrando que Jânio Quadros, Fernando Collor e a ditadura militar também usaram o combate à corrupção como bandeira.
O ex-ministro defendeu que a campanha eleitoral deve focar em problemas mais graves do que a corrupção. Ele listou os impactos da guerra no preço dos combustíveis, a desestruturação da Petrobras, a segurança pública, a educação e a revolução tecnológica como prioridades.
Dirceu acredita que o governo e a coalizão do PT têm condições de retomar a pauta que interessa ao país. Ele questionou se a eleição vai debater os problemas reais do Brasil ou se repetirá a ilusão de que a corrupção é o principal desafio nacional.
Finalmente, o ex-ministro admitiu que escândalos de corrupção, mesmo sem envolvimento direto do presidente Lula, prejudicam quem está no governo. Ele lembrou que o presidente prometeu prender milionários, criando uma expectativa na população que precisa ser gerida.