Estudo associa áreas arborizadas a menor risco cardiovascular de 4%

Imagem gerada por IA pelo Flux Pro (fal.ai), a partir de prompt do Cafezinho. 05/04/2026 17:12

Uma pesquisa conduzida por centros de estudos nos Estados Unidos e na Europa revelou que residir em ruas com maior cobertura arbórea pode reduzir em 4% o risco de doenças cardiovasculares. O trabalho analisou cerca de 350 milhões de imagens de ruas nos EUA e acompanhou aproximadamente 89.000 mulheres ao longo de quase duas décadas.

Diferentemente de abordagens anteriores que se baseavam em índices gerais de vegetação captados por satélite, os pesquisadores conseguiram diferenciar tipos específicos de cobertura vegetal — como copas de árvores, gramados e arbustos — para chegar a essa conclusão.

Embora os dados apontem para uma associação positiva entre a presença de árvores e a saúde do coração, os autores alertam que não há relação direta de causa e efeito comprovada. Lis Leão, líder do grupo de pesquisa e-Natureza, vinculado ao Centro de Ensino e Pesquisa Albert Einstein, comentou os resultados e destacou que ainda não se conhecem todas as variáveis relacionadas às imagens analisadas.

Ela ponderou que fatores como a dependência de automóveis em bairros dominados por gramados e a baixa caminhabilidade podem influenciar hábitos sedentários, contribuindo para o aumento do risco cardiovascular nesses locais.

A pesquisa também ressalta benefícios indiretos das árvores para a saúde humana, como a diminuição da poluição atmosférica, a mitigação de ilhas de calor urbanas, a redução de ruídos e o estímulo a atividades físicas e à interação social. Conforme explicou Leão, ambientes naturais têm o potencial de regular o sistema nervoso autônomo e atenuar a ativação simpática crônica, fator conhecido por elevar os riscos de problemas cardiovasculares.

A conexão entre natureza e bem-estar não é novidade no campo científico. Desde os anos 1980, a Teoria da Recuperação do Estresse, desenvolvida por Roger Ulrich, já indicava que a simples observação de paisagens naturais — mesmo que por uma janela — poderia acelerar a recuperação fisiológica de pacientes após cirurgias.

Ainda assim, Leão reforçou que a saúde cardiovascular depende de um conjunto de práticas, incluindo alimentação equilibrada, exercícios físicos regulares, sono de qualidade e acompanhamento médico, além de estratégias para lidar com o estresse — área em que a natureza pode desempenhar papel relevante.

Com base nas descobertas, Leão sugeriu que o planejamento de cidades mais arborizadas poderia funcionar como medida estrutural para promover a saúde pública. Ela expressou a visão de que o contato com a natureza pode vir a ser formalmente reconhecido como parte das orientações de saúde, equiparando-se à importância da atividade física. Mais detalhes podem ser encontrados em publicações do Centro de Ensino e Pesquisa Albert Einstein, que tem acompanhado os desdobramentos dessa pesquisa internacional.

Com informações de Agência Internacional.

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