O Japão está intensificando a adoção de robôs e inteligência artificial (IA) como resposta direta à grave escassez de mão de obra que ameaça a produtividade em setores cruciais da economia.
Com uma população em declínio e menos trabalhadores disponíveis, o país busca na automação uma saída para manter operações em indústrias que enfrentam dificuldades para atrair mão de obra humana.
De acordo com o Ministério da Economia, Comércio e Indústria do Japão, a meta é consolidar um setor doméstico de IA física e alcançar 30% do mercado global até 2040. Dados de 2022 mostram que os fabricantes japoneses já dominam cerca de 70% do mercado mundial de robótica industrial, evidenciando a liderança do país nesse campo.
Essa posição de destaque é vista como um trunfo para enfrentar os desafios demográficos que pressionam a economia.
A redução da população em idade ativa é um dos principais fatores por trás dessa corrida tecnológica. Atualmente, apenas 59,6% dos japoneses estão em condições de trabalhar, e projeções indicam que esse número pode cair em quase 15 milhões nas próximas duas décadas.
Um levantamento realizado pela Reuters em parceria com o Nikkei, publicado em 2024, aponta que a falta de trabalhadores é o maior incentivo para as empresas japonesas investirem em soluções de IA e automação.
Para as companhias, os robôs não representam apenas um ganho de eficiência, mas uma necessidade urgente para garantir a continuidade de suas atividades. Sho Yamanaka, da Salesforce Ventures, destacou que manter serviços essenciais funcionando em meio à escassez de mão de obra tornou-se uma prioridade nacional.
Setores como logística e manufatura estão entre os mais impactados, com empresas buscando na tecnologia uma forma de evitar paralisações.
O governo japonês também entrou na jogada com um investimento robusto. Sob a liderança do primeiro-ministro Shigeru Ishiba, que assumiu o cargo em outubro de 2024, foram destinados cerca de US$ 6,3 bilhões para impulsionar o desenvolvimento de IA e a integração de robôs na economia.
A automação industrial, especialmente no setor automotivo, já mostra resultados concretos, com a transição de projetos experimentais para aplicações práticas em larga escala.
Empresas como a Mujin estão na vanguarda desse movimento, criando softwares que permitem a robôs industriais executar tarefas logísticas de maneira autônoma. A estratégia da Mujin foca em plataformas de controle que tornam o hardware existente mais independente, otimizando operações sem a necessidade de grandes substituições de equipamentos.
Além disso, startups como a WHILL estão expandindo o alcance da automação para além da indústria tradicional. Especializada em veículos de mobilidade pessoal autônomos, a WHILL combina tecnologia japonesa de fabricação, conhecida como “monozukuri”, com inovações globais.
Sua plataforma integra veículos elétricos, sensores, sistemas de navegação e gerenciamento de frotas na nuvem, com desenvolvimento conduzido tanto no Japão quanto nos EUA, visando mercados internacionais.
Assim, o Japão não apenas substitui trabalhadores por máquinas, mas reposiciona a robótica como uma ferramenta estratégica para preencher lacunas em setores essenciais. Essa iniciativa busca assegurar a manutenção de serviços básicos e a competitividade econômica em um cenário de encolhimento populacional, consolidando o país como referência em automação mundial.
Com informações de techcrunch.com.