O Ministério Público de São Paulo (MPSP) solicitou uma prorrogação de prazo para concluir as investigações da Operação Carbono Oculto, que apura um vasto esquema de lavagem de dinheiro ligado ao Primeiro Comando da Capital (PCC) no setor de combustíveis e em operações financeiras na região da Faria Lima, em São Paulo. O pedido, registrado no dia 5 de abril de 2026, busca até 90 dias adicionais para finalizar o trabalho investigativo, que corre sob sigilo.
Iniciada em 2024, a investigação é conduzida por meio de um Procedimento Investigatório Criminal (PIC) e tem como objetivo denunciar entre 30 e 40 pessoas. Entre os alvos estão figuras como Mohamad Hussein Mourad, conhecido como ‘Primo’, e Roberto Augusto Leme da Silva, apelidado de ‘Beto Louco’, ambos considerados foragidos. A operação, deflagrada em agosto de 2025, abrange cerca de 350 alvos, incluindo pessoas físicas e jurídicas, e é apontada por promotores do MPSP como uma das maiores ações contra redes criminosas do país.
As apurações revelaram que uma rede de aproximadamente 1.200 postos de combustíveis movimentou mais de R$ 52 bilhões entre 2020 e 2024. Desse montante, apenas R$ 90 milhões foram recolhidos em impostos, uma fração ínfima de 0,173%, conforme dados levantados pelo MPSP e divulgados em relatórios preliminares. Para ocultar os recursos, o grupo teria utilizado 40 fundos de investimento com patrimônio estimado em R$ 30 bilhões, operados por agentes do mercado financeiro na Faria Lima. De acordo com informações publicadas pelo portal Metrópoles, os empresários citados estariam negociando acordos de colaboração premiada com o MPSP.
O procurador-geral de Justiça de São Paulo afirmou, em declaração recente, que o escopo da investigação não se restringe a empresários do setor privado. Agentes públicos e, possivelmente, políticos também estão na mira das apurações, embora detalhes sobre essas linhas investigativas permaneçam sob sigilo. A complexidade do caso se reflete na amplitude das conexões financeiras e na dificuldade de rastrear os fluxos de dinheiro em um esquema tão estruturado.
A Operação Carbono Oculto também se relaciona com outras investigações no setor de combustíveis, como a Operação Tank, que expôs irregularidades semelhantes. Um desdobramento importante ocorreu no dia 15 de março de 2026, quando o caso foi temporariamente remetido à Justiça Estadual do Paraná, em uma decisão que poderia limitar a atuação do Ministério Público Federal (MPF) e da Polícia Federal (PF). No entanto, o Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4) reverteu essa medida, mantendo a competência federal para as investigações, o que reforça a relevância do caso no combate a redes criminosas de grande porte.
O desenrolar das apurações promete trazer à tona novos detalhes sobre a intersecção entre crime organizado e setores estratégicos da economia. Enquanto o MPSP trabalha para reunir provas sólidas, a expectativa é de que as denúncias formais, quando apresentadas, revelem a extensão do impacto desse esquema no mercado de combustíveis e nas finanças nacionais.