Sincericídio imperialista: Trump diz que EUA entregou armas manifestantes no Irã

O presidente dos EUA, Donald Trump, discursa durante um pronunciamento televisionado sobre o conflito no Oriente Médio em Washington, DC [AFP]

A declaração de Trump reacende discussões sobre o papel dos EUA em protestos internacionais e a narrativa ocidental sobre o Irã.

O ex-presidente dos Estados Unidos Donald Trump, em entrevista à Fox News, sugeriu que seu governo apoiou manifestantes no Irã, reacendendo debates sobre a intervenção dos EUA em protestos internacionais.

Na entrevista, Trump mencionou o uso de grupos curdos como intermediários, mas não há confirmação de envio de armas. A declaração levanta questões sobre a narrativa ocidental, que retratou os protestos no Irã como pacíficos.

Trump também repetiu a alegação não verificada de que o Irã teria "massacrado 45.000 civis" durante os protestos, um número não corroborado por fontes independentes e rejeitado pelas autoridades iranianas.

O analista geopolítico francês Arnaud Bertrand comentou a declaração de Trump em suas redes sociais. Segundo ele, a narrativa dos "manifestantes pacíficos massacrados" era "a única folha de figueira moral" para quem defendia uma linha mais agressiva contra o Irã.

Bertrand criticou o papel da mídia global, que, em sua avaliação, seguiu um "roteiro do Departamento de Estado dos EUA" sem questionar a versão oficial. "O governo iraniano sempre disse que isso não era verdade, mas qual veículo sequer considerou a possibilidade de eles estarem dizendo a verdade?", questionou.

A declaração de Trump não é um mero detalhe histórico. Ela reforça a posição iraniana de que enfrentava uma tentativa de desestabilização interna armada por uma potência estrangeira.

Para Bertrand, a declaração deveria envergonhar a mídia e levá-la a cumprir "o mínimo, ou seja, seu trabalho real: tratar as alegações dos governos ocidentais com o mesmo ceticismo que aplicam reflexivamente aos inimigos oficiais".

O episódio serve como mais um registro explícito do manual de intervenção externa dos EUA, onde a fabricação de consentimento para ações contra Estados soberanos frequentemente precede a ação militar ou paramilitar direta.

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