Mais de 7 mil indígenas de 391 povos originários se reuniram em Brasília para a 22ª edição do Acampamento Terra Livre (ATL), a maior mobilização indígena do país, organizada pela Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib).
O evento, iniciado no dia 6 de abril, se estende até o dia 10 de abril e concentra delegações nacionais e internacionais no Eixo Cultural Ibero-Americano, antigo espaço da Funarte, com o tema central «Nosso futuro não está à venda: a resposta somos nós».
A programação reúne mesas de abertura, plenárias sobre memória, verdade e justiça, apresentações de delegações, atos culturais e discussões regionais organizadas por territórios.
No dia 7 de abril, está prevista uma marcha até o Congresso Nacional que, segundo o portal Metrópoles, deverá resultar no fechamento de duas faixas do Eixo Monumental, operação a ser controlada pelo Batalhão de Policiamento de Trânsito (BPTran) da Polícia Militar do Distrito Federal.
O encerramento, marcado para o dia 10 de abril, prevê uma plenária final com leitura de documento político e uma noite de show cultural.
O ATL de 2026 marca o início do chamado Abril Indígena, mês de mobilização nacional em torno de pautas como saúde, educação e demarcação de terras.
Entre os alvos centrais das discussões estão propostas legislativas que ameaçam os direitos dos povos originários, com destaque para a legalização da mineração em territórios tradicionais e a tese do marco temporal, que restringe o reconhecimento de terras indígenas àquelas ocupadas até a data de promulgação da Constituição Federal de 1988.
A edição deste ciclo também aposta na disputa eleitoral como frente de resistência. A Apib lança a iniciativa «Campanha Indígena», voltada a fortalecer candidaturas de representantes dos povos originários e elevar sua presença no Congresso Nacional, historicamente dominado por bancadas ligadas ao agronegócio e avessas às demandas territoriais indígenas.
A iniciativa reflete uma mudança de estratégia do movimento, que passa a encarar as urnas como instrumento de pressão tão relevante quanto as marchas e ocupações.
A escolha de Brasília como palco permanente do ATL não é acidental. O acampamento se instala a poucos metros dos três poderes justamente para tornar visível, no coração do poder federal, a existência e a resistência de povos que o Estado brasileiro sistematicamente ignora ou criminaliza.
Em 2026, com o calendário eleitoral se aproximando e o Congresso Nacional pautando projetos de flexibilização de direitos territoriais, a pressão das ruas ganha contornos ainda mais urgentes para as lideranças presentes.