Uma zona estratégica que abrange mais de 30 países e se estende da Groenlândia ao Canal do Panamá: é assim que o secretário de Defesa dos EUA, Pete Hegseth, delineou o novo mapa de segurança americano sob a administração de Donald Trump. Durante um evento no quartel-general do Comando Sul dos EUA em Doral, Hegseth destacou que o escopo estratégico da administração se estende ‘da Groenlândia ao Golfo da América até o Canal do Panamá’, redefinindo o hemisfério norte como parte de um ‘perímetro de segurança imediato’.
Hegseth argumentou que todas as nações e territórios soberanos ao norte do equador — da Groenlândia ao Equador e do Alasca à Guiana — devem ser vistos como parte de uma zona estratégica compartilhada, em vez do Sul Global. ‘É um perímetro de segurança imediato neste grande bairro em que todos vivemos’, disse ele durante uma conferência de líderes de defesa do Hemisfério Ocidental.
Ele enfatizou que a geografia é central para a doutrina, citando barreiras naturais como a floresta amazônica e os Andes como linhas divisórias entre responsabilidades estratégicas do norte e do sul. Sob essa abordagem, os EUA planejam expandir sua postura e presença militar em todo o hemisfério norte em coordenação com parceiros regionais. ‘No norte, os Estados Unidos devem melhorar a postura e a presença… para defender nosso perímetro de segurança imediato’, afirmou.
Ao mesmo tempo, Hegseth sinalizou uma mudança nas expectativas para os países ao sul do equador, chamando por uma maior ‘divisão de encargos’ na segurança do Atlântico Sul e do Pacífico Sul, bem como de infraestruturas e recursos críticos. ‘No sul… fortaleceremos parcerias por meio de uma divisão de encargos aumentada’, disse ele, acrescentando que os parceiros regionais seriam esperados para assumir um papel maior na salvaguarda de seus próprios interesses de segurança.
Traçando um paralelo histórico, Hegseth invocou um renascimento da abordagem de ‘Defesa do Quarto de Esfera’ usada durante a Segunda Guerra Mundial, sugerindo que os EUA poderiam adotar um quadro semelhante novamente em resposta às ameaças globais em evolução. Essa nova estratégia coloca pressão sobre os países do Sul Global para reforçarem sua própria segurança.
Essa redefinição estratégica dos EUA pode ter implicações profundas para o Brasil e outras nações do Sul Global. Ao deslocar o foco militar para o hemisfério norte, os EUA esperam que os países ao sul do equador assumam mais responsabilidades de segurança, o que pode impactar as políticas de defesa e alianças regionais. A pressão para uma maior ‘divisão de encargos’ pode levar a um aumento nos gastos militares locais e a uma reavaliação das prioridades estratégicas na América Latina.
Com informações de www.firstpost.com.