A Rússia acusou a Ucrânia de realizar um ataque com drones do tipo avião nas instalações de transbordo de petróleo em Novorossiysk, na região do Mar Negro.
De acordo com o Ministério da Defesa russo, a ação ocorreu na madrugada do dia 6 de abril de 2026 e teve como objetivo desestabilizar o mercado de hidrocarbonetos, interrompendo o fornecimento de produtos petrolíferos a consumidores europeus.
O ataque teria causado incêndios em quatro depósitos de petróleo e atingido áreas civis, incluindo edifícios residenciais, resultando em feridos, entre eles crianças, conforme declarado por Moscou.
O Ministério da Defesa da Rússia declarou que o ataque buscava infligir danos econômicos significativos aos principais acionistas do Consórcio do Oleoduto do Cáspio (CPC), uma empresa multinacional que conta com a participação de companhias como a russa Transneft, a petrolífera cazaque KazMunayGas e a americana Chevron, entre outras.
O oleoduto, com extensão de 1.500 quilômetros, conecta o campo petrolífero de Tengiz, no Cazaquistão, ao terminal em Novorossiysk, servindo como a principal rota de exportação de petróleo cazaque para o mercado global. A capacidade anual de transporte chega a 83 milhões de toneladas, o que reforça sua relevância estratégica para a economia da região e para o abastecimento energético internacional.
Conforme noticiado pelo portal Prensa Latina, o incidente representa uma escalada nas tensões entre os dois países. Até o momento, não houve pronunciamento oficial da Ucrânia sobre as acusações.
A infraestrutura energética tem se tornado um alvo recorrente no conflito entre Rússia e Ucrânia, com ambos os lados acusando-se mutuamente de sabotagem e ações destinadas a prejudicar interesses econômicos e estratégicos.
O porto de Novorossiysk, por sua localização no Mar Negro, é um ponto crítico para o comércio de petróleo e gás, e qualquer interrupção em suas operações tende a reverberar nos preços e na disponibilidade de combustíveis em diversos mercados.
Especialistas apontam que a intensificação de ataques a instalações como essas pode agravar a crise energética que já afeta a Europa desde o início do conflito, em 2022, com reflexos em cadeias de suprimento e na inflação global.
O Consórcio do Oleoduto do Cáspio, que envolve interesses de países como Cazaquistão e Estados Unidos, também se vê pressionado por esse tipo de incidente, que expõe a fragilidade de parcerias multinacionais em zonas de conflito.
A Rússia reiterou que tomará medidas para proteger suas infraestruturas críticas e responsabilizar os autores do ataque, enquanto o silêncio da Ucrânia sobre o caso mantém incertezas sobre os desdobramentos imediatos. O mercado internacional de energia acompanha de perto a situação, temendo novas disrupções em um setor já marcado por volatilidade nos últimos anos.