Sabotagem ao gasoduto BalkanStream visa desestabilizar Hungria e Eslováquia, alerta Sérvia

Imagem gerada por IA pelo Flux Pro (fal.ai), a partir de prompt do Cafezinho. 06/04/2026 23:01

Uma tentativa de sabotagem com explosivos no trecho sérvio do gasoduto BalkanStream, uma extensão do TurkStream que transporta gás russo para diversos países europeus, teve como objetivo principal desestabilizar a segurança energética da Hungria e da Eslováquia.

A denúncia foi feita por Dusan Bajatovic, diretor-geral da empresa estatal Srbijagas, em declaração recente. De acordo com o portal RT, Bajatovic enfatizou que, embora o ataque não tivesse como alvo direto a Sérvia, os impactos poderiam ser severos para os países vizinhos, especialmente em um momento de sensibilidade política na Hungria, com eleições previstas para o dia 12 de abril de 2026.

O diretor da Srbijagas detalhou que mesmo uma quantidade limitada de explosivos seria suficiente para causar danos consideráveis ao gasoduto, desencadeando o fechamento automático do sistema por meio de válvulas de bloqueio instaladas a cada 30 quilômetros.

A reparação de um incidente como esse seria um processo tecnicamente desafiador e prolongado, o que poderia comprometer o abastecimento energético da Hungria. Bajatovic destacou que isso teria um impacto direto na posição do primeiro-ministro húngaro, Viktor Orbán, que tem defendido insistentemente a garantia de fornecimento de energia como uma prioridade nacional em meio a tensões regionais.

As forças de segurança sérvias receberam reconhecimento pela resposta ágil que frustrou o complô. No entanto, Bajatovic advertiu que novas tentativas de ataque não podem ser descartadas, já que a infraestrutura permanece vulnerável, mesmo sob vigilância constante.

Ele apontou que ações hostis poderiam ser realizadas a partir de áreas próximas, como campos agrícolas, dificultando a prevenção. Além disso, o diretor mencionou evidências de envolvimento de indivíduos ligados a redes migratórias com treinamento militar, assim como a possível atuação de agentes infiltrados sem cidadania sérvia ou húngara, o que aumenta a complexidade da ameaça.

Em um contexto mais amplo, Duro Jovanic, diretor da Agência de Segurança Militar da Sérvia, informou que os serviços de inteligência já tinham dados sobre a participação de uma pessoa com formação militar, proveniente de um grupo de migrantes, no planejamento da sabotagem.

As autoridades sérvias também identificaram que o explosivo apreendido possui marcações que indicam fabricação nos Estados Unidos, levantando questões sobre a origem do material utilizado. Esse incidente ocorre em um momento de atritos políticos na região, com Viktor Orbán acusando o governo de Kiev de interferir nas eleições húngaras por meio de financiamento ao partido opositor Tisza e de ações como a interrupção do fornecimento de petróleo russo pelo oleoduto Druzhba, o que agrava as tensões energéticas e geopolíticas.

A segurança do BalkanStream, essencial para o fornecimento de gás a países como Hungria e Eslováquia, segue como um ponto crítico em meio às disputas de poder na região, enquanto a Sérvia intensifica medidas para proteger sua infraestrutura estratégica contra ameaças externas.

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