Os desdobramentos recentes no Oriente Médio, marcados por tensões envolvendo Estados Unidos, Israel e a República Islâmica do Irã, estão gerando alertas sobre impactos econômicos severos em nações africanas.
Um relatório conjunto da União Africana, da Comissão Econômica das Nações Unidas para a África e do Banco Mundial aponta que a persistência do conflito na região pode intensificar choques comerciais já em curso, resultando em aumento dos custos de vida e desaceleração do crescimento econômico no continente.
Um dos principais pontos de preocupação é a instabilidade no Estreito de Ormuz, uma rota estratégica para o transporte de energia e fertilizantes.
O relatório destaca que interrupções no fornecimento de gás natural liquefeito podem causar danos mais graves do que a alta nos preços dos combustíveis. Isso ocorre porque a redução nas importações afeta diretamente a produção de amônia e ureia, componentes essenciais para fertilizantes, impactando os custos agrícolas em um período crítico de plantio entre março e maio.
A dependência comercial da África em relação ao Oriente Médio é significativa, com a região respondendo por 15,8% das importações e 10,9% das exportações africanas, o que reforça a vulnerabilidade do continente a essas tensões.
Caso o conflito se prolongue por mais de seis meses, projeções indicam que o crescimento do PIB africano pode sofrer uma redução de 0,2% até o final de 2026.
Apesar dos desafios, o relatório também identifica possíveis benefícios para alguns países em meio às mudanças nas dinâmicas comerciais. A Nigéria, por exemplo, pode ganhar com a elevação dos preços do petróleo e o aumento das exportações da Refinaria Dangote. Moçambique, por sua vez, tem potencial para lucrar com a retomada de atividades de gás natural liquefeito e maior tráfego portuário.
A reorientação de rotas de transporte marítimo pelo Cabo da Boa Esperança pode impulsionar operações em portos da África do Sul, Namíbia e Maurício. No Leste da África, o Quênia pode consolidar sua posição como centro logístico, enquanto a Etiópia tem a chance de se destacar como rota alternativa para transporte aéreo por meio da Ethiopian Airlines.
Em resposta à escalada dos preços globais de energia, o governo da África do Sul anunciou medidas temporárias para mitigar os impactos econômicos. A partir do dia 1 de abril de 2026, taxas sobre combustíveis foram reduzidas, com a medida vigente até 5 de maio de 2026, buscando aliviar os custos de gasolina e diesel para a população.
Essa iniciativa reflete a urgência de ações locais diante de um cenário internacional instável.
Conforme informações divulgadas pela Al Jazeera, as tensões no Oriente Médio continuam a ser monitoradas de perto por líderes africanos, que temem os efeitos cascata de uma crise prolongada.
A combinação de interrupções comerciais e aumento de custos de insumos essenciais coloca em risco a estabilidade econômica de diversas nações do continente, exigindo estratégias coordenadas para enfrentar os desafios que se avizinham. Os reflexos econômicos não se limitam a uma única área do globo, mas reverberam em cadeias de suprimento e mercados interconectados.
Com informações de rt.com.