O Museu da Maré recebeu o lançamento do livro É necessário o coração em chamas – Contos de Manguinhos e da Maré. O projeto reúne 14 contos produzidos por moradoras e moradores desses dois territórios, a partir de uma articulação do Fórum Favela Universidade, com apoio da Fiocruz.
A publicação reafirma a potência da produção cultural periférica e sua contribuição para a defesa dos direitos humanos e do direito à cidade.
A celebração contou com a presença de autores e autoras da comunidade, que partilharam o processo de construção da obra, vivenciado na IV Residência Literária Favelofágica, iniciativa do selo editorial do Ecomuseu de Manguinhos, o Bando Editorial Favelofágico. A Residência é um programa de formação e criação literária voltado a escritores periféricos, promovido pelo Bando no Complexo de Manguinhos, no Rio de Janeiro, desde 2015. A proposta integrou o Grupo de Trabalho Lutas, Letras e Memória, vinculado ao Fórum Favela Universidade. O lançamento do livro é fruto de uma articulação do Fórum Favela Universidade, com apoio do projeto Tecendo Diálogos, sob gestão da Coordenação de Cooperação Social da Presidência da Fiocruz e do Museu da Vida Fiocruz.
“A gente ainda vive sob o predomínio de uma cultura letrada. Por isso, ter um espaço para que escritoras e escritores de favelas e periferias contem suas histórias é muito importante. A metodologia favelofágica parte do princípio de que qualquer tipo de história pode ser contada por autores e autoras desses territórios, não apenas narrativas de testemunho sobre vivências, especialmente aquelas marcadas pelas desigualdades sociais”, afirmou Vanessa Almeida, ponto focal do Grupo de Trabalho Lutas e Letras e Memória e Coordenadora do Ecomuseu de Manguinhos da RedeCCAP. “Enquanto pessoa negra, você ocupa outros papéis e vive outros momentos que não se resumem à dor. Por isso, é importante ressaltar isso”.
A mesa institucional foi composta pela educadora e mediadora da Residência Literária, Nlaisa Luciano, pelo representante do Museu da Vida Fiocruz e coordenador do projeto Tecendo Diálogos, Alessandro Batista, e pelo Antônio Carlos, pesquisador do Museu da Maré. Em suas falas, destacaram a importância de uma publicação comprometida com a ruptura de estigmas e estereótipos historicamente associados a esses territórios, reafirmando a potência da produção cultural periférica e sua contribuição para a defesa dos direitos humanos e do direito à cidade.
“A importância de um projeto como esse é permitir que, cada vez mais, possamos construir espaços de possibilidades, de troca, de aprendizado, de produção de saber e também de ciência, porque a literatura é uma ferramenta de transformação”, afirmou Nlaisa Luciano. O próximo lançamento ocorrerá no território de Manguinhos. Mais informações serão divulgadas em breve no Instagram do Fórum Favela Universidade.
Fonte: Fiocruz.


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